Tag: desmatamento

  • EUDR e os Novos Paradigmas para a Advocacia Ambiental Brasileira

    EUDR e os Novos Paradigmas para a Advocacia Ambiental Brasileira

    A crescente preocupação global com as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e o desmatamento das florestas tropicais vem transformando profundamente as relações comerciais internacionais. Nesse contexto, a União Europeia aprovou o denominado Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido internacionalmente pela sigla EUDR (European Union Deforestation Regulation), criando um novo padrão de governança ambiental para o comércio global.

    Embora se trate de uma norma estrangeira, seus efeitos transcendem as fronteiras europeias e impactam diretamente países exportadores de commodities agrícolas e florestais, especialmente o Brasil, um dos maiores fornecedores mundiais de soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma.

    A implementação do EUDR representa uma verdadeira mudança de paradigma para a advocacia ambiental brasileira, que passa a atuar em um ambiente regulatório mais complexo, multidisciplinar e internacionalizado.

    O que é o EUDR?

     

    O EUDR é um regulamento da União Europeia que estabelece que determinados produtos e suas cadeias produtivas somente poderão ingressar ou permanecer no mercado europeu se forem comprovadamente livres de desmatamento e produzidos em conformidade com a legislação do país de origem.

    O regulamento substitui o antigo regime europeu de combate ao comércio ilegal de madeira e amplia significativamente o seu alcance, passando a abranger diversas commodities consideradas de alto risco para a conversão de florestas e outros ecossistemas naturais.

    A norma exige que empresas importadoras realizem um rigoroso procedimento de diligência prévia (due diligence), identificando a origem dos produtos, avaliando riscos socioambientais e adotando medidas capazes de demonstrar que a produção não contribuiu para o desmatamento ou para a degradação ambiental.

    Trata-se de um dos instrumentos mais sofisticados de governança ambiental transnacional já produzidos, influenciando cadeias de produção localizadas em países que sequer fazem parte da União Europeia.

    O EUDR e a Internacionalização do Direito Ambiental

    Historicamente, o Direito Ambiental brasileiro desenvolveu-se sob uma lógica predominantemente nacional, baseada na Constituição Federal, na legislação infraconstitucional e nos atos administrativos expedidos pelos órgãos ambientais.

    O EUDR altera essa dinâmica ao introduzir um novo elemento: a necessidade de conformidade com requisitos ambientais estabelecidos por mercados consumidores estrangeiros.

    Isso significa que a regularidade ambiental de um empreendimento não será mais analisada apenas à luz das exigências brasileiras. Cada vez mais, empresas exportadoras precisarão demonstrar conformidade perante padrões internacionais de rastreabilidade, governança corporativa e sustentabilidade.

    Consequentemente, a advocacia ambiental passa a operar em um cenário de pluralidade normativa, no qual normas estrangeiras, compromissos privados e exigências de mercado assumem relevância semelhante à legislação nacional.

    A Rastreabilidade Como Novo Pilar da Atividade Empresarial

    Um dos principais pilares do EUDR é a rastreabilidade das cadeias produtivas.

    As empresas deverão ser capazes de identificar, com elevado grau de precisão, a origem geográfica dos produtos comercializados, fornecendo informações sobre as áreas de produção e demonstrando a inexistência de desmatamento após o marco temporal definido pelo regulamento.

    Esse novo modelo exige um grau de organização documental até então pouco comum em determinados setores econômicos.

    Nesse contexto, documentos como:

    • Cadastro Ambiental Rural (CAR);
    • Cadastro de Imóvel Rural (CIB);
    • Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR);
    • registros fundiários;
    • autorizações ambientais;
    • licenciamentos;
    • documentos de origem florestal;
    • contratos de fornecimento;
    • relatórios de monitoramento ambiental;

    passam a adquirir relevância estratégica não apenas perante os órgãos ambientais brasileiros, mas também perante compradores internacionais.

    A gestão documental deixa de ser mera obrigação administrativa e transforma-se em requisito de acesso ao mercado.

    O Surgimento do Compliance Ambiental Global

    Outro grande paradigma trazido pelo EUDR é a consolidação do chamado compliance ambiental global.

    A preocupação das empresas deixa de se restringir à prevenção de multas e sanções administrativas. O novo objetivo passa a ser a demonstração permanente de conformidade socioambiental perante investidores, consumidores e parceiros comerciais.

    Nesse cenário, surgem novas demandas jurídicas relacionadas:

    • à elaboração de programas de conformidade ambiental;
    • à criação de mecanismos de auditoria;
    • à análise de riscos de fornecedores;
    • à implementação de políticas de rastreabilidade;
    • à gestão de informações ambientais;
    • à elaboração de protocolos internos de diligência.

    A advocacia ambiental assume, portanto, uma função preventiva e estratégica, atuando diretamente na governança corporativa das empresas.

    A Ampliação da Due Diligence Ambiental

    A due diligence ambiental tradicionalmente esteve associada a operações imobiliárias, aquisições societárias e processos de licenciamento.

    Com o EUDR, essa atividade ganha uma nova dimensão.

    Será cada vez mais comum a realização de auditorias voltadas à verificação de:

    • conformidade fundiária;
    • regularidade ambiental;
    • situação de áreas de preservação permanente e reserva legal;
    • histórico de embargos;
    • autos de infração ambientais;
    • sobreposição com terras indígenas ou unidades de conservação;
    • riscos reputacionais;
    • rastreabilidade de fornecedores indiretos.

    A análise jurídica passa a exigir conhecimentos técnicos multidisciplinares, envolvendo Direito Ambiental, Direito Agrário, Direito Registral, geoprocessamento, governança corporativa e comércio internacional.

    ESG, Financiamento e Acesso ao Crédito

    A implementação do EUDR também produz reflexos relevantes no setor financeiro.

    Instituições financeiras e fundos de investimento vêm incorporando critérios de sustentabilidade em suas políticas de crédito, aumentando a exigência por informações ambientais confiáveis.

    Empresas incapazes de comprovar a regularidade de suas cadeias produtivas poderão enfrentar:

    • restrições de financiamento;
    • aumento do custo de capital;
    • dificuldades de contratação de seguros;
    • perda de competitividade;
    • exclusão de determinados mercados internacionais.

    Nesse contexto, a advocacia ambiental assume papel fundamental na estruturação de modelos de governança capazes de reduzir riscos regulatórios e econômicos.

    Novas Oportunidades para a Advocacia Ambiental Brasileira

    O EUDR inaugura um campo extremamente promissor para a atuação profissional.

    Entre as novas oportunidades destacam-se:

    Consultoria em rastreabilidade ambiental

    Assessoria na organização documental e na implementação de sistemas de monitoramento das cadeias produtivas.

    Due diligence socioambiental

    Análise jurídica e técnica de riscos ambientais e fundiários.

    Estruturação de programas de compliance

    Desenvolvimento de políticas internas de governança e sustentabilidade.

    Gestão de crises e riscos reputacionais

    Atuação em situações de embargos, autuações ou questionamentos por compradores internacionais.

    Contratos e comércio internacional

    Elaboração de cláusulas contratuais relacionadas à conformidade ambiental e à distribuição de responsabilidades.

    Auditorias ambientais preventivas

    Avaliação da situação jurídica de empreendimentos rurais e cadeias produtivas.

    Capacitação empresarial

    Treinamento de produtores, cooperativas e empresas exportadoras sobre as novas exigências internacionais.

    O Advogado Ambiental Como Gestor Estratégico de Riscos

    Talvez a maior transformação produzida pelo EUDR seja a mudança no perfil da advocacia ambiental.

    O advogado deixa de ser visto apenas como profissional responsável pela defesa em autos de infração, embargos e ações civis públicas.

    Passa a ocupar posição estratégica na gestão de riscos empresariais, atuando de maneira preventiva, multidisciplinar e integrada aos setores de governança, sustentabilidade, operações e comércio exterior.

    A atuação jurídica passa a exigir:

    • conhecimento técnico aprofundado;
    • capacidade de interpretação de normas internacionais;
    • domínio de instrumentos de governança ambiental;
    • compreensão das cadeias produtivas;
    • familiaridade com tecnologias de monitoramento e rastreabilidade;
    • visão estratégica de negócios.

    Considerações Finais

    O EUDR representa uma das mais significativas transformações do Direito Ambiental contemporâneo. Mais do que uma norma europeia, trata-se de um novo modelo de governança ambiental global, capaz de influenciar profundamente a produção agropecuária e florestal brasileira.

    Para a advocacia ambiental, o regulamento inaugura uma nova era, marcada pela internacionalização das obrigações ambientais, pela valorização do compliance, pela necessidade de rastreabilidade e pela ampliação da gestão preventiva de riscos.

    O advogado ambiental brasileiro que compreender essa transformação e desenvolver competências multidisciplinares estará preparado para ocupar uma posição de protagonismo em um mercado cada vez mais orientado pela sustentabilidade, pela transparência e pela responsabilidade socioambiental.

    O futuro da advocacia ambiental não se limita mais aos processos administrativos e judiciais. Ele passa, necessariamente, pela capacidade de conectar Direito, governança, tecnologia e comércio internacional em um cenário no qual a conformidade ambiental tornou-se requisito indispensável para a competitividade econômica global.


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  • Novas imagens de satélite podem redefinir a fiscalização ambiental no Brasil

    Novas imagens de satélite podem redefinir a fiscalização ambiental no Brasil

    Novas imagens de satélite com precisão até seis vezes maior devem ampliar a capacidade de fiscalização ambiental no Brasil. A evolução tecnológica tende a permitir identificação mais detalhada de desmatamento, ocupações irregulares, movimentações de solo, supressão de vegetação e alterações em áreas sensíveis.

    Com maior resolução, os órgãos de controle passam a ter acesso a dados mais precisos para monitorar propriedades rurais, empreendimentos, áreas de preservação e atividades sujeitas a licenciamento. A mudança pode reduzir a dependência exclusiva de fiscalizações presenciais e acelerar a detecção de possíveis irregularidades.

    A nova etapa do monitoramento remoto também deve impactar processos administrativos e judiciais, já que imagens de satélite vêm ganhando relevância como elemento de prova em autuações, embargos e ações ambientais.

    Fiscalização mais precisa e maior exposição regulatória

     

    Para empresas e proprietários rurais, o avanço representa um novo patamar de controle. Intervenções antes difíceis de identificar podem ser detectadas com maior rapidez, ampliando a exposição a fiscalizações, autos de infração e questionamentos sobre uso do solo.

    Setores como agronegócio, mineração, infraestrutura, energia e mercado imobiliário devem redobrar a atenção à conformidade documental, licenças, autorizações e registros georreferenciados.

    Tecnologia e prova ambiental

    A ampliação da precisão das imagens reforça a tendência de digitalização da fiscalização ambiental. A análise remota tende a se tornar cada vez mais relevante para subsidiar decisões administrativas, orientar operações de campo e fundamentar procedimentos de responsabilização.

    Ao mesmo tempo, o uso dessas tecnologias exigirá critérios técnicos claros, validação adequada das informações e respeito ao contraditório em processos administrativos e judiciais.

    Conclusão

    O avanço das imagens de satélite com maior precisão pode transformar a fiscalização ambiental no Brasil, tornando o controle mais rápido, abrangente e tecnicamente detalhado. Para o setor produtivo, o cenário reforça a importância da gestão preventiva de riscos, da regularidade documental e do acompanhamento contínuo das áreas sob responsabilidade empresarial.

    Fonte: O Globo.


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  • STF destaca decisões que consolidam a proteção ambiental e reforçam segurança jurídica no país

    STF destaca decisões que consolidam a proteção ambiental e reforçam segurança jurídica no país

    Em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, o Supremo Tribunal Federal reuniu decisões consideradas emblemáticas para a consolidação da jurisprudência ambiental brasileira. O levantamento evidencia o papel da Corte na definição de parâmetros constitucionais relacionados à proteção ambiental, à repartição de competências entre os entes federativos e à implementação de políticas públicas.

    As decisões destacadas abordam temas como mudanças climáticas, licenciamento ambiental, unidades de conservação, proteção de biomas, combate ao desmatamento e responsabilidade do poder público na execução de políticas ambientais. O conjunto de precedentes demonstra a crescente atuação do STF na uniformização da interpretação constitucional sobre questões ambientais de grande impacto econômico e institucional.

    Nos últimos anos, a Corte passou a exercer papel relevante na resolução de controvérsias envolvendo infraestrutura, agronegócio, mineração, regularização fundiária e políticas de desenvolvimento sustentável, estabelecendo diretrizes que influenciam diretamente a atuação da administração pública e do setor produtivo.

    Jurisprudência consolidada e previsibilidade regulatória

    A consolidação de entendimentos pelo Supremo contribui para maior previsibilidade na aplicação das normas ambientais e reduz a fragmentação interpretativa entre diferentes órgãos e instâncias judiciais. A uniformização de critérios fortalece a segurança jurídica e permite que agentes públicos e privados planejem suas atividades com maior clareza sobre os limites constitucionais aplicáveis.

    Além disso, o protagonismo do STF em temas ambientais reflete a crescente judicialização de políticas públicas e de conflitos regulatórios complexos, consolidando a Corte como referência na definição dos parâmetros jurídicos que orientam o desenvolvimento econômico e a gestão ambiental no país.

    Conclusão

    O conjunto de decisões destacado pelo STF no Dia Mundial do Meio Ambiente evidencia a evolução da jurisprudência ambiental brasileira e o fortalecimento da segurança jurídica em temas de elevada relevância institucional. Ao estabelecer parâmetros constitucionais para a atuação do poder público e dos agentes econômicos, a Corte contribui para maior estabilidade regulatória e para a construção de um ambiente jurídico mais previsível e coerente.

    Fonte: Supremo Tribunal Federal – Notícias STF


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  • Crédito Rural, EUDR e Agronegócio: por que pequenas, médias e grandes empresas precisam de advogados experientes antes que o risco vire prejuízo

    Crédito Rural, EUDR e Agronegócio: por que pequenas, médias e grandes empresas precisam de advogados experientes antes que o risco vire prejuízo

    O agronegócio brasileiro vive uma mudança estrutural. O crédito rural, que durante muitos anos foi tratado principalmente como instrumento financeiro de custeio, investimento e expansão produtiva, passou a exigir uma leitura muito mais ampla. Hoje, acessar crédito não depende apenas de capacidade de pagamento, garantias reais ou histórico bancário. Depende também de regularidade ambiental, conformidade documental, gestão de risco socioambiental, rastreabilidade produtiva e adequação às novas exigências nacionais e internacionais.

    Esse movimento se intensificou com as normas do Conselho Monetário Nacional sobre impedimentos sociais, ambientais e climáticos para concessão de crédito rural. A Resolução CMN nº 5.303/2026 alterou a Seção 9 do Capítulo 2 do Manual de Crédito Rural, justamente no ponto que trata das condições socioambientais aplicáveis ao financiamento rural. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, os ajustes buscam ampliar a previsibilidade da implementação das regras, especialmente quanto à verificação de supressão de vegetação nativa ilegal em imóveis rurais.

    Ao mesmo tempo, o mercado internacional passou a pressionar de forma mais direta as cadeias produtivas do agro. A União Europeia aprovou o Regulamento 2023/1115, conhecido como EUDR, voltado a produtos livres de desmatamento. A norma alcança commodities relevantes para o Brasil, como gado, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira, além de produtos derivados listados no regulamento europeu.

    Esse cenário demonstra que pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio precisam enxergar a contratação de advogados experientes em crédito rural, Direito Ambiental e EUDR não como um custo adicional, mas como uma medida estratégica de proteção econômica, acesso a financiamento, permanência em mercados e prevenção de passivos. No agro contemporâneo, quem não organiza juridicamente sua operação corre o risco de perder crédito, contratos, compradores, exportações e competitividade.

    Crédito rural deixou de ser apenas operação bancária e passou a exigir governança jurídica ambiental

    A contratação de advogados experientes em crédito rural tornou-se indispensável porque as instituições financeiras passaram a operar sob um ambiente regulatório cada vez mais conectado à regularidade socioambiental dos imóveis e empreendimentos rurais. O banco não analisa apenas a viabilidade econômica da atividade. Ele também precisa verificar impedimentos sociais, ambientais e climáticos, conforme as regras do Manual de Crédito Rural.

    A atualização promovida pelo CMN estabeleceu novas datas para que instituições financeiras verifiquem a ocorrência de supressão de vegetação nativa no imóvel rural após 31 de julho de 2019, por meio de consulta à lista disponibilizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, elaborada com base em dados do Prodes, do INPE. Os prazos foram escalonados conforme o porte do imóvel: 4 de janeiro de 2027 para imóveis com área superior a 15 módulos fiscais, 1º de julho de 2027 para imóveis com área superior a 4 e até 15 módulos fiscais, e 3 de janeiro de 2028 para imóveis com até 4 módulos fiscais.

    Esse ponto é decisivo para pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio. A pequena empresa rural, muitas vezes familiar ou com estrutura administrativa reduzida, pode enfrentar dificuldade para organizar Cadastro Ambiental Rural, matrícula, autorizações, mapas, contratos, termos de compromisso e documentos técnicos. A média empresa pode ter maior volume operacional, múltiplas áreas, arrendamentos, parcerias e financiamentos simultâneos. A grande empresa, por sua vez, normalmente possui cadeia complexa, fornecedores, integração produtiva, exposição reputacional, auditorias, certificações, operações estruturadas e relacionamento com compradores nacionais e internacionais.

    Em todos esses perfis, o advogado especializado tem papel central. Ele não atua apenas quando o crédito é negado. Ele deve atuar antes, estruturando a documentação ambiental, avaliando riscos do imóvel, verificando passivos, analisando eventuais embargos, autos de infração, sobreposições, inconsistências no CAR, histórico de supressão vegetal, regularidade de licenças, autorizações de supressão e documentos aptos a comprovar conformidade.

    A importância dessa atuação preventiva está no fato de que uma negativa de crédito pode comprometer toda a operação produtiva. Para o pequeno produtor empresarial, pode significar ausência de recursos para custeio da safra. Para a média empresa, pode afetar fluxo de caixa, compra de insumos, expansão e renegociação de dívidas. Para grandes empresas, pode gerar impacto em contratos, planejamento financeiro, rating de risco, governança ESG e relacionamento com bancos e investidores.

    A assessoria jurídica experiente permite que o cliente rural compreenda que crédito rural não é apenas aprovação bancária. É também conformidade regulatória. É capacidade de demonstrar, com documentos e fundamentos jurídicos, que a operação não está impedida por questões ambientais, sociais ou climáticas. No novo contexto do agro, regularidade ambiental passou a ser instrumento de acesso a capital.

    Empresas do agronegócio precisam de advogados que saibam transformar regularidade ambiental em segurança financeira

    Um dos maiores erros de gestão no agronegócio é separar a estratégia ambiental da estratégia financeira. Hoje, essa separação não se sustenta. Um problema ambiental pode gerar multa, embargo, ação civil pública, termo de ajustamento de conduta, dificuldade de licenciamento e, também, restrição ao crédito. A consequência prática é clara: o passivo ambiental deixou de ser apenas jurídico e passou a ser também financeiro.

    Por isso, empresas pequenas, médias e grandes precisam de advogados que compreendam a lógica do crédito rural e saibam fazer a ponte entre Direito Ambiental, Direito Administrativo Sancionador, Manual de Crédito Rural, documentação fundiária, regularização ambiental e operação bancária. A atuação deve ser integrada, porque o problema quase nunca está em um único documento. Ele normalmente surge da soma de informações dispersas: CAR, matrícula, imagens de satélite, relatório ambiental, auto de infração, embargo, contrato de arrendamento, autorização de supressão, termo de compromisso e certidões.

    A Resolução CMN nº 5.303/2026 reforça a possibilidade de apresentação de documentos para comprovação de regularidade ambiental, inclusive no contexto de supressão de vegetação nativa. O Ministério da Agricultura destacou que as medidas buscam assegurar crédito a produtores que estejam em conformidade com os mecanismos de controle previstos na legislação ambiental, permitindo prazo de adequação e apresentação de outros documentos que comprovem regularidade.

    Esse detalhe é fundamental. Muitas vezes, o produtor ou a empresa rural não estão necessariamente em situação ambiental irregular, mas não conseguem demonstrar juridicamente sua regularidade. A área pode ter autorização válida. A supressão pode ser anterior ao marco temporal considerado pela norma. O imóvel pode estar em processo de regularização. O embargo pode atingir apenas parte da propriedade. O tomador do crédito pode não ser responsável direto pela infração. A informação em base pública pode estar desatualizada ou imprecisa. Sem advogado experiente, essas nuances podem ser ignoradas pela instituição financeira.

    Para pequenas empresas, o advogado pode atuar na organização básica da conformidade: CAR, matrícula, contratos, documentos ambientais mínimos, certidões e análise de risco para acesso a custeio e investimento. Para médias empresas, pode estruturar política de compliance rural, revisar contratos com fornecedores, arrendatários e parceiros, além de criar dossiês ambientais para operações de crédito. Para grandes empresas, a atuação deve alcançar governança robusta, auditoria de cadeia, due diligence socioambiental, avaliação de fornecedores, resposta a bancos, relacionamento com compradores internacionais e gestão de riscos reputacionais.

    Esse tipo de advocacia não é meramente contenciosa. É uma advocacia preventiva, estratégica e econômica. O advogado experiente ajuda a empresa a evitar que o problema apareça no momento mais sensível: quando o recurso financeiro é necessário para plantar, colher, exportar, investir, renegociar ou manter a operação em funcionamento.

    No agronegócio moderno, regularidade ambiental bem documentada vale dinheiro. Ela facilita crédito, reduz risco contratual, melhora a posição perante bancos, fortalece a empresa em negociações e protege a continuidade produtiva. Por isso, contratar advogado especializado em crédito rural e Direito Ambiental é uma decisão empresarial, não apenas jurídica.

    O conhecimento da EUDR será decisivo para quem quer acessar mercado, crédito e cadeias internacionais

    A EUDR eleva ainda mais o grau de exigência sobre o agronegócio. O regulamento europeu proíbe a colocação no mercado da União Europeia, ou a exportação a partir dele, de produtos relevantes que não sejam livres de desmatamento, que não tenham sido produzidos conforme a legislação do país de produção e que não estejam acompanhados de declaração de diligência devida.

    Embora a obrigação formal recaia diretamente sobre operadores e comerciantes que colocam produtos no mercado europeu ou exportam a partir da União Europeia, os efeitos práticos alcançam toda a cadeia produtiva. Empresas brasileiras que produzem, compram, processam, financiam ou exportam commodities vinculadas ao mercado europeu precisarão demonstrar rastreabilidade, origem lícita, regularidade ambiental e controle documental. A Comissão Europeia informa que operadores e comerciantes deverão provar que os produtos não se originam de terras recentemente desmatadas nem contribuíram para degradação florestal.

    As datas atuais de aplicação também exigem planejamento imediato. Segundo a Comissão Europeia, a entrada em aplicação da EUDR está prevista para 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores, e 30 de dezembro de 2026 para micro e pequenos operadores já abrangidos pelo antigo Regulamento Europeu da Madeira.

    Esse calendário é extremamente relevante para o agro brasileiro. Pequenas empresas que fornecem para cooperativas, tradings, frigoríficos, exportadores ou indústrias podem ser chamadas a apresentar informações de origem, geolocalização, histórico da área e comprovação de conformidade. Médias empresas precisarão organizar seus fornecedores, contratos e controles internos. Grandes empresas precisarão estruturar programas robustos de diligência, rastreabilidade e resposta documental para compradores, bancos, seguradoras, auditorias e autoridades estrangeiras.

    A EUDR também exige atenção porque não se limita ao desmatamento ilegal conforme a legislação brasileira. O regulamento trabalha com a ideia de produto livre de desmatamento e com marco temporal próprio, conectado à data de 31 de dezembro de 2020. Isso significa que a discussão não será apenas sobre existência ou não de autorização ambiental nacional, mas também sobre adequação ao padrão regulatório europeu aplicável ao mercado de destino. Essa diferença torna indispensável a atuação de advogados que compreendam simultaneamente o Direito Ambiental brasileiro e as exigências regulatórias internacionais.

    O advogado experiente em EUDR pode auxiliar empresas do agronegócio em várias frentes: análise de exposição da cadeia produtiva, revisão de contratos de fornecimento, cláusulas de rastreabilidade, obrigações de informação, matriz de riscos, due diligence de fornecedores, organização de documentos ambientais, avaliação de imóveis rurais, resposta a compradores internacionais, estruturação de políticas internas e integração entre compliance ambiental e crédito rural.

    Esse conhecimento será cada vez mais relevante também para operações financeiras. Bancos e instituições de crédito tendem a considerar riscos de mercado, riscos de exportação, riscos reputacionais e riscos socioambientais ao avaliar empresas do agro. Uma empresa que não consegue demonstrar origem regular, rastreabilidade e conformidade ambiental pode enfrentar dificuldades não apenas para vender para a Europa, mas também para obter crédito em boas condições, atrair investimentos e participar de cadeias comerciais mais exigentes.

    Em síntese, a EUDR transforma conformidade ambiental em requisito de mercado. O produtor e a empresa rural que enxergarem isso apenas como exigência estrangeira podem perder espaço. Quem se antecipar, organizar documentos, mapear fornecedores, revisar contratos e estruturar governança terá vantagem competitiva.

    A contratação de advogados experientes em crédito rural, Direito Ambiental e EUDR é, portanto, uma decisão estratégica para pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio. O pequeno precisa de orientação para não ser excluído do crédito e das cadeias comerciais por falta de documentação. O médio precisa de estrutura para crescer com segurança. O grande precisa de governança sofisticada para proteger mercado, reputação e financiamento.

    O novo agro não será definido apenas por quem produz mais. Será definido por quem consegue provar melhor a regularidade daquilo que produz. E, nesse cenário, o advogado especializado deixa de ser chamado apenas depois do problema. Ele passa a ser peça central da estratégia empresarial, financeira e ambiental do agronegócio.

    Referências utilizadas

    1. Resolução CMN nº 5.303, de 12 de maio de 2026, Banco Central do Brasil: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?numero=5303&tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o+CMN
    2. Notícia do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre ajustes nas normas de impedimentos socioambientais e climáticos para crédito rural: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/cmn-ajusta-normas-referentes-a-impedimentos-sociais-ambientais-e-climaticos-para-a-concessao-de-credito-rural
    3. Regulamento (UE) 2023/1115, EUDR, texto oficial no EUR-Lex: https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2023/1115/oj/eng
    4. Comissão Europeia, Regulation on Deforestation-free Products: https://environment.ec.europa.eu/topics/forests/deforestation/regulation-deforestation-free-products_en

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  • Multa Ambiental na SEMA/MT: Como Fazer a Defesa e Evitar Prejuízos

    Multa Ambiental na SEMA/MT: Como Fazer a Defesa e Evitar Prejuízos

    Receber uma multa ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA/MT) é uma situação que gera preocupação imediata para produtores rurais e empresas.

    Além do impacto financeiro, a autuação pode trazer consequências mais graves, como:

    • Embargos de áreas 
    • Restrições de crédito 
    • Inclusão em cadastros ambientais 
    • Ações judiciais futuras 

    O que muitos não sabem é que a multa não é definitiva. Existe um processo administrativo e, com uma defesa técnica bem estruturada, é possível reduzir, suspender ou até anular a penalidade.

    Neste artigo, você vai entender como funciona a multa da SEMA/MT e como se defender corretamente.

    O que é uma multa ambiental da SEMA/MT?

    A multa ambiental é uma penalidade aplicada quando o órgão ambiental identifica uma infração à legislação ambiental estadual ou federal.

    No Mato Grosso, as autuações da SEMA/MT geralmente estão relacionadas a:

    • Desmatamento sem autorização 
    • Supressão em APP ou reserva legal 
    • Irregularidades no CAR 
    • Queimadas ilegais 
    • Atividade sem licenciamento ambiental 
    • Descumprimento de condicionantes 

    Essas infrações são formalizadas por meio de um:

    Auto de Infração Ambiental

    Esse documento é o ponto de partida do processo.

    Como a multa é gerada?

     

    Hoje, grande parte das autuações da SEMA/MT ocorre por:

    • Monitoramento por satélite (PRODES, DETER, Planet, etc.) 
    • Cruzamento de dados com CAR e bases estaduais 
    • Fiscalização remota 
    • Denúncias 
    • Fiscalizações presenciais 

    Ou seja: você pode ser autuado sem nunca ter recebido uma visita no local.

    O que acontece após o Auto de Infração?

    Após a autuação, inicia-se o processo administrativo ambiental, que segue etapas como:

    1. Lavratura do Auto de Infração 
    2. Notificação do autuado 
    3. Prazo para apresentação de defesa 
    4. Julgamento administrativo 
    5. Possibilidade de recurso 

    Atenção: o prazo para defesa geralmente é curto (em torno de 20 dias, podendo variar).

    Perder esse prazo pode tornar a multa definitiva.

    É possível anular ou reduzir a multa?

    Sim — e esse é o ponto mais importante.

    A multa não é automática nem definitiva. Ela pode ser:

    • Anulada (quando há erro na autuação) 
    • Reduzida (em alguns casos) 
    • Convertida em serviços ambientais (dependendo da legislação vigente) 

    Tudo depende da qualidade da defesa.

    Como fazer uma defesa eficiente na SEMA/MT

    Uma defesa eficaz não é apenas um texto — ela precisa ser técnica, estratégica e fundamentada.

    Veja os principais pontos:

    a) Análise do Auto de Infração

    É essencial verificar:

    • Se a infração está corretamente descrita 
    • Se há erro na identificação da área 
    • Se o enquadramento legal está correto 
    • Se há vícios formais no documento 

    Muitos autos possuem inconsistências que podem levar à nulidade.

    b) Análise das provas utilizadas

    A SEMA/MT frequentemente utiliza:

    • Imagens de satélite 
    • Dados georreferenciados 
    • Sistemas digitais 

    Essas provas devem ser analisadas com cuidado:

    • A imagem corresponde à sua área? 
    • A data está correta? 
    • Há sobreposição de informações? 

    Erros técnicos são mais comuns do que parece.

    c) Confronto com documentos da propriedade

    Aqui entram documentos essenciais:

    • CAR (Cadastro Ambiental Rural) 
    • Licenças ambientais 
    • Autorizações de supressão 
    • Mapas georreferenciados 
    • Histórico da área 

    Muitas vezes, o produtor estava regular — mas não conseguiu comprovar isso ainda.

    d) Produção de prova técnica

    Uma defesa forte pode incluir:

    • Laudo técnico ambiental 
    • Análise geoespacial independente 
    • Relatórios de uso do solo 
    • Estudos da área 

    Isso aumenta significativamente as chances de sucesso.

    e) Estratégia jurídica

    Cada caso exige uma abordagem diferente:

    • Anular a multa 
    • Reduzir o valor 
    • Demonstrar regularidade 
    • Discutir responsabilidade 

    Não existe defesa padrão.

    Erros comuns na defesa de multas ambientais

    Evite esses erros:

    • Não apresentar defesa 
    • Fazer defesa genérica ou copiada 
    • Não analisar as provas 
    • Ignorar o prazo 
    • Não apresentar documentos técnicos 
    • Tentar resolver sem apoio especializado 

    Esses erros praticamente garantem a manutenção da multa.

    Multa ambiental pode virar dívida ou processo judicial?

    Sim.

    Se não houver defesa ou se ela for indeferida:

    • A multa pode ser inscrita em dívida ativa 
    • Pode haver cobrança judicial 
    • O caso pode evoluir para ação civil pública 
    • Pode gerar bloqueios e restrições 

    Ou seja: ignorar a multa só piora o problema.

    Como se prevenir de novas autuações

    A melhor defesa é a prevenção:

    • Manter o CAR atualizado 
    • Regularizar reserva legal e APP 
    • Controlar uso do solo 
    • Monitorar a propriedade por satélite 
    • Ter acompanhamento técnico e jurídico 

    Hoje, a fiscalização é contínua — não pontual.

    Conclusão

    A multa ambiental da SEMA/MT é uma situação séria, mas totalmente administrável quando tratada com estratégia.

    Com uma defesa técnica bem estruturada, é possível:

    • Evitar prejuízos financeiros 
    • Reduzir penalidades 
    • Anular autuações indevidas 
    • Proteger a propriedade 

    O erro mais comum não é receber a multa —
    é não saber como reagir a ela.

    Recebeu uma multa da SEMA/MT ou quer avaliar o risco na sua propriedade?

    A Martins Zanchet Advocacia Ambiental atua na defesa administrativa ambiental com análise técnica e estratégica.

    Entre em contato e proteja seu patrimônio com segurança jurídica.


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  • PRODES: O Que é o Sistema de Monitoramento do Desmatamento e Como Ele Pode Beneficiar o Produtor Rural

    PRODES: O Que é o Sistema de Monitoramento do Desmatamento e Como Ele Pode Beneficiar o Produtor Rural

    O monitoramento ambiental no Brasil evoluiu de forma significativa nos últimos anos. Hoje, o desmatamento não depende mais de denúncias ou fiscalizações presenciais: ele é identificado por sistemas automatizados que utilizam imagens de satélite de alta precisão.

    Entre esses sistemas, um dos mais importantes é o PRODES (Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite), desenvolvido pelo INPE.

    Embora muitos produtores enxerguem esse sistema apenas como uma ferramenta de fiscalização, a verdade é que o PRODES pode — e deve — ser utilizado como um instrumento estratégico de proteção jurídica e planejamento da propriedade rural.

    Neste artigo, você vai entender o que é o PRODES, como ele funciona e, principalmente, como utilizá-lo a seu favor.

    O que é o PRODES?

     

    O PRODES é um sistema criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com o objetivo de monitorar, anualmente, o desmatamento na Amazônia Legal.

    Ele utiliza imagens de satélite para identificar áreas onde houve remoção completa da cobertura florestal, gerando dados oficiais utilizados por:

    • IBAMA; 
    • Ministério do Meio Ambiente; 
    • Ministério Público; 
    • Tribunais; 
    • Instituições internacionais. 

    Ou seja: os dados do PRODES são considerados referência oficial no Brasil.

    Como o PRODES funciona na prática

    O PRODES realiza análises comparativas de imagens ao longo do tempo para identificar alterações na cobertura vegetal.

    Algumas características importantes:

    • Detecta corte raso (remoção total da vegetação); 
    • Atualização anual (diferente de sistemas em tempo real como o DETER); 
    • Alta precisão na delimitação das áreas desmatadas; 
    • Geração de mapas georreferenciados com coordenadas exatas. 

    Esses dados são públicos e podem ser acessados por qualquer pessoa.

    O PRODES pode gerar autuação ambiental?

    Aqui está um ponto importante:

    PRODES, por si só, não gera autuação automática.

    No entanto, ele é amplamente utilizado como:

    • Base para fiscalização do IBAMA; 
    • Prova técnica em autos de infração; 
    • Elemento em ações civis públicas ambientais. 

    Na prática, funciona assim:

    1. O sistema identifica desmatamento; 
    2. O dado é cruzado com CAR, licenças e autorizações; 
    3. Caso haja indício de irregularidade → inicia-se fiscalização ou autuação. 

    Ou seja:
    o PRODES é um gatilho para fiscalização, não a autuação em si — mas pode sustentar o processo.

    O grande erro: ver o PRODES apenas como fiscalização

    A maioria dos produtores só descobre o PRODES quando já está com problema.

    Mas isso é um erro estratégico.

    Hoje, quem trabalha com atividade rural precisa entender que:

    o governo já sabe o que acontece na sua propriedade, mesmo sem ir até lá.

    Ignorar isso significa operar no escuro.

    Como o produtor pode usar o PRODES a seu favor

    Aqui está o ponto mais importante do artigo.

    O PRODES pode ser utilizado como ferramenta de gestão e proteção jurídica, não apenas como controle estatal.

    a) Monitoramento preventivo da propriedade

    O produtor pode acompanhar se há registros de desmatamento na sua área antes que isso vire problema.

    Isso permite:

    • Identificar inconsistências; 
    • Corrigir informações; 
    • Antecipar defesa. 

    b) Conferência de dados com o CAR

    O cruzamento entre PRODES e CAR é uma das principais bases de fiscalização.

    Ao verificar isso previamente, o produtor pode:

    • Ajustar cadastro; 
    • Regularizar áreas; 
    • Evitar autuações por divergência de informação. 

    c) Comprovação de regularidade

    Em muitos casos, o produtor possui autorização para supressão, mas o sistema aponta desmatamento.

    O PRODES pode ser usado junto com:

    • Licenças ambientais; 
    • Autorizações de supressão; 
    • PRADs; 

    Para demonstrar que o desmatamento foi legal e autorizado.

    d) Defesa em processos ambientais

    Se houver autuação, o PRODES pode ser analisado tecnicamente para:

    • Verificar erros de interpretação; 
    • Avaliar limites da área; 
    • Demonstrar inconsistências temporais ou espaciais. 

    Muitas autuações são contestadas com base em análise técnica desses dados.

    e) Valorização da propriedade rural

    Propriedades com histórico ambiental regular:

    • Têm maior valor de mercado; 
    • Acessam crédito com mais facilidade; 
    • Atendem exigências de exportação. 

    O acompanhamento do PRODES ajuda a construir esse histórico.

    Relação com outros sistemas de monitoramento

    O PRODES não atua sozinho. Ele faz parte de um conjunto de sistemas, como:

    • DETER: alerta rápido de desmatamento; 
    • CAR: cadastro ambiental rural; 
    • SICAR: base nacional do CAR; 
    • MapBiomas: uso e cobertura do solo; 
    • Sistemas estaduais. 

    Todos esses dados são cruzados automaticamente.

    Isso reforça a necessidade de gestão ambiental ativa da propriedade.

    O novo cenário: fiscalização digital e contínua

    O produtor rural precisa entender que estamos em um novo momento:

    • Fiscalização por satélite; 
    • Cruzamento automático de dados; 
    • Atuação preventiva do Ministério Público; 
    • Pressão de mercados internacionais por rastreabilidade. 

    Nesse cenário, não basta estar regular —
    é preciso comprovar e demonstrar essa regularidade.

    O papel da assessoria jurídica e técnica

    A utilização estratégica do PRODES exige conhecimento técnico e jurídico.

    A assessoria especializada atua em:

    • Análise de dados geoespaciais da propriedade; 
    • Identificação de riscos antes de autuações; 
    • Regularização ambiental (CAR, reserva legal, APP); 
    • Defesa em autos de infração e ações civis públicas; 
    • Planejamento preventivo da atividade rural. 

    Conclusão

    O PRODES deixou de ser apenas uma ferramenta de monitoramento ambiental para se tornar um dos principais instrumentos de controle do uso da terra no Brasil.

    Ignorá-lo é assumir riscos.

    Por outro lado, utilizá-lo estrategicamente permite ao produtor:

    • Evitar autuações; 
    • Provar regularidade; 
    • Planejar melhor sua atividade; 
    • Proteger seu patrimônio. 

    No cenário atual, informação é proteção jurídica.

    Quer saber se sua propriedade está sendo monitorada ou corre risco de autuação com base em dados do PRODES?

    A Martins Zanchet Advocacia Ambiental atua na análise técnica e jurídica de propriedades rurais, ajudando produtores a se protegerem e operarem com segurança.

    Entre em contato e antecipe riscos antes que eles se tornem problemas.

     


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  • Goiás regulamenta compensação ambiental por impactos à fauna em casos de desmatamento

    Goiás regulamenta compensação ambiental por impactos à fauna em casos de desmatamento

    O Estado de Goiás regulamentou a compensação ambiental específica por impactos à fauna decorrentes de desmatamento. A medida estabelece diretrizes para mensuração, valoração e compensação de danos causados à biodiversidade, especialmente em situações de supressão vegetal autorizada ou irregular.

    A regulamentação cria parâmetros mais objetivos para avaliação dos impactos sobre a fauna, permitindo maior padronização na aplicação de medidas compensatórias. O objetivo é estruturar critérios técnicos que orientem a atuação dos órgãos ambientais e reduzam a margem de subjetividade na definição das obrigações.

    A norma também reforça a necessidade de integração entre análise ambiental e medidas compensatórias, vinculando a supressão de vegetação à adoção de ações voltadas à mitigação e compensação dos impactos sobre espécies e ecossistemas afetados.

    Padronização e previsibilidade regulatória

    A regulamentação estadual contribui para maior previsibilidade na aplicação de compensações ambientais, ao estabelecer critérios claros para quantificação e exigência das medidas. Isso tende a reduzir divergências interpretativas e conflitos entre administrados e órgãos ambientais.

    Além disso, a definição de parâmetros específicos para fauna representa um avanço na especialização das exigências ambientais, alinhando a atuação administrativa a critérios técnicos mais detalhados.

    Conclusão

    A regulamentação da compensação ambiental por impactos à fauna em Goiás indica um movimento de aprimoramento das regras aplicáveis ao desmatamento, com foco em padronização e maior objetividade na definição de obrigações. A medida reforça a tendência de detalhamento técnico das exigências ambientais e de fortalecimento da previsibilidade regulatória no âmbito estadual.

    Fonte: Jornal Opção


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  • Suspensão nacional de ações sobre a Moratória da Soja

    Suspensão nacional de ações sobre a Moratória da Soja

    O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que todas as ações judiciais e administrativas — inclusive aquelas no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — que tratem da moratória da soja no país devem ser suspensas até o julgamento definitivo da matéria. A medida visa evitar decisões conflitantes antes da Corte fixar um entendimento único.

    O que é a Moratória da Soja

     

    A Moratória da Soja é um acordo voluntário entre empresas do setor, firmado com o objetivo de impedir a compra de soja proveniente de áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008, buscando eliminar o desmatamento na cadeia da soja.

    Razões da decisão do STF

    A decisão cautelar partiu da ação direta de inconstitucionalidade (ADI 7774), que questiona a lei estadual de Mato Grosso (Lei 12.709/2024) que proíbe incentivos fiscais e uso de terrenos públicos por empresas que aderirem ao acordo da moratória. O relator no STF considerou ser necessário garantir segurança jurídica ao setor, evitando litígios múltiplos e conflitantes enquanto o mérito não for decidido.

    Implicações para o agronegócio e política ambiental

     

    Com a suspensão de todos os processos até a decisão final do STF, empresas e entidades do agronegócio ficam em compasso de espera, o que traz impactos nos contratos, nas políticas de adesão à moratória e nas decisões estaduais de incentivos fiscais. A medida também reforça a importância de que acordos com relevante impacto ambiental sejam tratados com uniformidade jurídica.

    Como a Martins Zanchet pode ajudar

    A consultoria Martins Zanchet pode apoiar organizações que atuam ou desejam atuar no segmento do agronegócio e sustentabilidade com foco na moratória da soja, oferecendo:

    • análise e monitoramento do cenário jurídico atual, com destaque para decisões federais e estaduais relacionadas à moratória;

    • suporte em compliance ambiental e de governança, ajudando empresas a entenderem os riscos e obrigações caso sejam signatárias ou adversárias da moratória;

    • assessoramento em contratos, incentivos fiscais e parcerias estratégicas ligadas à produção e comercialização de soja, considerando os impactos da decisão do STF;

    • elaboração de estratégias de comunicação e reputação associadas à adesão à moratória ou à produção sustentável, fortalecendo a posição da empresa frente a investidores, clientes e reguladores.

    Se desejar, posso também preparar uma minuta de checklist para empresas do setor soja, considerando essa nova fase determinada pelo STF — gostaria que eu fizesse isso?

    Fonte:
    “STF determina suspensão de ações que discutem a Moratória da Soja”, STF Notícias, 06 de novembro de 2025; diversas publicações especializadas. lex.com.br+3noticias.stf.jus.br+3biodieselbr.com+3


     

     

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  • Taxonomia Sustentável Brasileira é aprovada: o que muda na prática para o setor produtivo

    Taxonomia Sustentável Brasileira é aprovada: o que muda na prática para o setor produtivo

    O Brasil acaba de dar um passo estratégico no caminho da sustentabilidade ao aprovar sua própria Taxonomia Sustentável, um sistema de classificação que define quais atividades econômicas podem ser consideradas sustentáveis sob critérios técnicos, ambientais e sociais. Embora a adesão seja, por ora, voluntária, a tendência é que se torne, em breve, um requisito formal para o acesso a financiamentos e mercados internacionais.

    Muito além de uma diretriz burocrática, a taxonomia inaugura uma nova fase no relacionamento entre produção e regulação ambiental: agora, mais do que seguir a legislação, será necessário comprovar boa conduta ambiental contínua para participar de iniciativas de investimento sustentável, especialmente em setores como agropecuária, florestas, transporte, construção e energia.

    O que a taxonomia define?

    De forma simples, a TSB estabelece critérios técnicos objetivos que permitem classificar determinadas atividades como “verdes” ou “alinhadas à sustentabilidade”. Alguns pontos chamam atenção:

    • Atividades com desmatamento legal recente ficam fora da classificação mesmo que estejam dentro dos limites permitidos pelo Código Florestal;

    • O produtor só poderá ser elegível se passar cinco anos sem realizar qualquer nova supressão de vegetação nativa;

    • O sistema foi construído com base em 14 documentos técnicos, cobrindo praticamente todos os setores relevantes da economia nacional;

    • Também inclui aspectos sociais e de governança como redução de desigualdades, boas práticas trabalhistas e mitigação de riscos climáticos.

    Efeitos práticos para quem produz

     

    Para o setor produtivo, especialmente o agronegócio, a medida traz impactos imediatos e futuros. Ainda que voluntária no momento, a TSB funcionará como um novo filtro de reputação e acesso ao crédito, funcionando como diferencial para quem está à frente das exigências e um alerta para quem ainda atua no limite da legislação.

    Benefícios para quem se antecipa:

    • Acesso facilitado a crédito verde e investidores internacionais;

    • Redução de riscos legais e reputacionais;

    • Possibilidade de certificações e inserção em cadeias globais de fornecimento;

    • Fortalecimento de imagem institucional e ESG.

    Riscos para quem ignora:

    • Dificuldade de obter financiamentos sustentáveis;

    • Restrição a mercados internacionais que adotem critérios semelhantes;

    • Necessidade de investimentos emergenciais para se adequar no futuro;

    • Potencial desvalorização da propriedade ou da produção em áreas com passivo ambiental recente.

    A importância da teoria aliada à prática

    Na Martins Zanchet + EDA, enxergamos esse novo cenário como uma oportunidade estratégica para transformar a forma como empresas e produtores lidam com as exigências ambientais. Mais do que dominar a teoria legal, o diferencial está em aplicar esse conhecimento com assertividade na rotina do setor.

    A assessoria ambiental precisa ser técnica, jurídica e prática. Isso significa:

    • Planejar ocupações futuras respeitando a legislação e os critérios da TSB;

    • Ajustar contratos, planos de manejo e licenciamentos já existentes;

    • Mapear riscos de exclusão com base no histórico da propriedade;

    • Auxiliar na preparação documental exigida por financiadores ou certificadoras.

    Trata-se de um movimento que vai muito além da adequação legal: é um posicionamento de mercado.

    Conclusão

    A Taxonomia Sustentável Brasileira inaugura uma nova lógica de relacionamento entre produção e financiamento: quem quiser crescer com segurança, precisará provar que faz isso com responsabilidade ambiental. E a forma mais segura de garantir isso é com planejamento jurídico preventivo, estratégia regulatória e suporte técnico especializado.

    A Martins Zanchet + EDA está preparada para ajudar produtores rurais, empresas e investidores a se posicionarem de forma proativa diante desse novo cenário — transformando exigências em vantagens reais de mercado.

    Fonte: Capital Reset – “Brasil aprova taxonomia sustentável com adoção voluntária e sem desmatamento legal”

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  • COP30 expõe o descompromisso ambiental do Brasil diante do mundo

    COP30 expõe o descompromisso ambiental do Brasil diante do mundo

    Uma vitrine que virou crise

    A realização da COP30 no Brasil poderia ter sido uma oportunidade histórica para o país se consolidar como líder global em sustentabilidade e ações climáticas. No entanto, o que se vê às vésperas do evento é um retrato preocupante da falta de planejamento, da improvisação e da mercantilização de um evento que deveria simbolizar compromisso ambiental.

    Desde o anúncio da sede, feito com base em motivações políticas e sem critérios técnicos claros, surgiram dúvidas sobre a capacidade de Belém de receber um evento internacional de grande porte. A cidade, apesar de sua importância simbólica para a Amazônia, claramente não dispõe da infraestrutura necessária para acolher dezenas de milhares de visitantes de todo o mundo.

    Um turismo de crise: leilão de hospedagens e improvisações

    O setor hoteleiro colapsou diante da alta demanda. Com poucos leitos disponíveis e padrão abaixo do esperado para delegações internacionais, soluções alternativas como cruzeiros, reformas emergenciais em motéis e utilização de escolas surgiram como paliativos improvisados. Ao mesmo tempo, os preços explodiram de forma oportunista. Hospedagens ultrapassando seis dígitos por 11 dias de evento colocam em xeque o acesso de representantes de países e organizações menores.

    Essa mercantilização extrema reforça um estereótipo que há muito o Brasil tenta superar: o do “jeitinho”, da vantagem a qualquer custo, mesmo que isso prejudique a imagem institucional do país e o propósito de um evento dessa magnitude.

    O impacto na credibilidade ambiental

    Mais grave que a desorganização logística é a mensagem que o Brasil transmite à comunidade internacional: mesmo em um evento voltado à proteção do meio ambiente, não somos capazes de garantir condições mínimas de acolhimento, planejamento urbano e, sobretudo, seriedade institucional.

    O episódio da estrada construída para facilitar o acesso à COP30, com supressão de vegetação na Amazônia, escancara o paradoxo nacional: desmatamos para receber uma conferência ambiental. Isso enfraquece o discurso de liderança verde e mina a confiança do mundo nos compromissos ambientais assumidos pelo país.

    Conclusão

    A COP30, que deveria representar um marco de protagonismo ambiental para o Brasil, caminha para se tornar um caso emblemático de despreparo e contradição. Os sinais são claros: a comunidade internacional já pressiona por mudança de sede, os problemas se acumulam e a reputação do país está em jogo. Se o Brasil quiser, de fato, ser ouvido nas mesas globais sobre o futuro do planeta, precisa começar demonstrando seriedade em casa — e isso inclui respeitar o meio ambiente até na prática de organizá-lo.

    Fonte: diversos veículos de imprensa (Estadão, Gazeta do Povo, BBC, BNC Amazonas)


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  • Tudo Sobre a EUDR: O Que É, Quem Será Afetado e Como se Preparar para as Novas Regras Ambientais da União Europeia

    Tudo Sobre a EUDR: O Que É, Quem Será Afetado e Como se Preparar para as Novas Regras Ambientais da União Europeia

    Por que todos estão falando sobre a EUDR?

    A sigla EUDR se refere à European Union Deforestation Regulation, a nova regulação ambiental da União Europeia que muda completamente as regras do jogo para quem exporta produtos agropecuários. Seu objetivo é impedir que commodities associadas ao desmatamento entrem no mercado europeu, independentemente de o desmatamento ter sido legal ou ilegal no país de origem.

    Se você é produtor rural, exportador, cooperativa, agroindústria ou empresa da cadeia do agronegócio, precisa entender os detalhes dessa norma. Neste guia, reunimos tudo o que você precisa saber para não ser pego de surpresa e evitar perder acesso ao mercado europeu.

    O que é a EUDR?

    A EUDR é uma regulamentação da União Europeia publicada em 2023, com entrada previamente prevista para dezembro de 2024, e, posteriormente postergada. Ela obriga empresas que comercializam certos produtos a comprovar que:

    • A produção não está associada ao desmatamento após 31 de dezembro de 2020;
    • O produto tem origem rastreada geograficamente;
    • Foram cumpridas todas as leis ambientais e fundiárias do país de origem.

    A regulação vale para empresas que colocam no mercado europeu produtos como soja, carne bovina, café, cacau, madeira, borracha e derivados.

    Quais produtos brasileiros são afetados?

     

    Todos os produtos das cadeias de:

    • Soja (grão, farelo, óleo)
    • Carne bovina (in natura, industrializada, couro)
    • Madeira (bruta ou processada)
    • Café, cacau, borracha e seus derivados

    Além disso, produtos industrializados que contenham essas matérias-primas também podem estar sujeitos à norma.

    Quem precisa cumprir a EUDR?

     
    • Produtores rurais, inclusive pequenos, pois o georreferenciamento parte da origem do produto;
    • Cooperativas e associações, que reútem e comercializam a produção;
    • Tradings e exportadores que vendem para a Europa;
    • Agroindústrias que utilizam essas commodities como insumos;
    • Importadores e empresas europeias que serão fiscalizadas, mas vão exigir a conformidade da origem.

    Quais são as exigências principais da EUDR?

    1. Geolocalização precisa da produção (shapefile ou KML da área)
    2. Comprovação de desmatamento zero após 31/12/2020
    3. Documentação fundiária e ambiental completa (CAR, licenças, outorgas)
    4. Declaração de due diligence submetida via plataforma oficial da UE
    5. Armazenamento de dados por 5 anos

    A responsabilidade é solidária: se a origem estiver irregular, o importador europeu e seus fornecedores podem ser punidos.

    Como saber se sua propriedade está regular?

    • Seu CAR está aprovado?
    • A propriedade tem APP e RL em conformidade?
    • Houve desmatamento após 2020?
    • Está tudo georreferenciado e com documentação válida?

    Se a resposta for “não sei” ou “ainda não”, é fundamental iniciar uma avaliação técnica e jurídica.

    O que acontece se você não cumprir a EUDR?

    • Perda imediata de acesso ao mercado europeu
    • Cancelamento de contratos de fornecimento
    • Bloqueio de exportações em portos
    • Risco de responsabilidade civil e administrativa
    • Danos à imagem da empresa ou do produtor

    Como se preparar para atender à EUDR?

    • Validar e corrigir o Cadastro Ambiental Rural (CAR)
    • Mapear áreas com apoio de engenheiros agrônomos, florestais e geógrafos
    • Contratar assessoria jurídica para revisão fundiária e ambiental
    • Implementar tecnologia de monitoramento (drones, satélite, IoT)
    • Estruturar sistemas internos de rastreabilidade e armazenamento documental
    • Simular auditorias de conformidade ambiental conforme os padrões europeus

    Como podemos lhe ajudar?

    • Interpretar a norma da EUDR e como ela se aplica ao seu caso
    • Avaliar riscos legais e construir um plano de regularização
    • Revisar contratos com tradings e compradores europeus
    • Representar o produtor ou empresa junto a órgãos ambientais e entidades internacionais
    • Emitir pareceres e declarações com valor jurídico internacional

    A regulação não é uma barreira comercial passageira. Ela é parte de uma nova realidade de exigências ambientais globais. Estar em conformidade com a EUDR não é apenas cumprir a lei — é garantir que seu produto continue sendo competitivo no mundo.

    Não sabe por onde começar a se adequar à EUDR? Fale com a Martins Zanchet Advocacia Ambiental e receba uma análise completa sobre sua situação ambiental e fundiária. Antecipe-se, regularize e continue vendendo para a União Europeia com segurança jurídica e comercial.


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  • EUDR e o Agro Brasileiro: Como se Preparar para Atender à Nova Regulação Europeia contra o Desmatamento

    EUDR e o Agro Brasileiro: Como se Preparar para Atender à Nova Regulação Europeia contra o Desmatamento

    A nova era da rastreabilidade ambiental internacional

     

    A regulação EUDR (European Union Deforestation Regulation), aprovada pela União Europeia, marca um novo estágio na exigência de conformidade ambiental para produtos comercializados no bloco europeu. Seu objetivo é claro: combater o desmatamento global e garantir que produtos importados estejam livres de ligação com a degradação ambiental.

    Para o Brasil, a medida tem impacto direto. Como um dos principais exportadores de soja, carne bovina, café, cacau, madeira e borracha — todas commodities abrangidas pela EUDR —, o setor agropecuário nacional está no centro das exigências. A regulamentação não apenas impõe novos parâmetros de rastreabilidade, como exige uma transformação estrutural nas práticas de monitoramento ambiental, gestão documental e responsabilidade legal ao longo da cadeia produtiva.

    Entender o estágio atual da regulação, sua implementação prática e as ações necessárias para adequação não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia de sobrevivência comercial.

    EUDR hoje: qual o estágio de implementação?

    A EUDR foi publicada em junho de 2023 e entrou formalmente em vigor em junho de 2024, com exigência plena para empresas a partir de 30 de dezembro de 2024. Desde então, a União Europeia tem desenvolvido normas complementares que detalham o funcionamento do sistema de due diligence, os mecanismos de fiscalização digital e a categorização de risco por país.

    A Comissão Europeia deve publicar até o final de 2024 uma lista classificando países e regiões como de alto, médio ou baixo risco de desmatamento. Essa classificação impacta diretamente o nível de exigência documental. Países de alto risco, como o Brasil pode ser considerado, estarão sujeitos a inspeções mais rígidas e a maior volume de verificações técnicas.

    Empresas europeias já estão em fase de adaptação aos novos sistemas e exigindo informações detalhadas de seus fornecedores no Brasil. Mesmo antes da data limite, cadeias de suprimento mais exigentes já estão vetando fornecedores que não demonstrem capacidade de rastreabilidade completa e conformidade ambiental efetiva.

    Quem será afetado pela regulação?

     

    A abrangência da EUDR vai além dos grandes exportadores. Toda a cadeia de valor está sujeita às obrigações da norma, incluindo:

    • Produtores rurais, independentemente do porte ou tipo societário, que fornecem diretamente para exportadores ou indiretamente via cooperativas;
    • Associações, cooperativas e consórcios agroindustriais, que operam como intermediários e agregadores de produção;
    • Tradings e empresas exportadoras, que têm a responsabilidade legal de comprovar que seus produtos não estão vinculados a áreas desmatadas;
    • Indústrias nacionais que processam ou utilizam produtos regulados, mesmo que não exportem diretamente;
    • Importadores e distribuidores localizados na União Europeia, que devem executar e documentar sua due diligence.

    A responsabilidade pela conformidade é compartilhada, mas o ônus recai principalmente sobre os elos iniciais da cadeia: o produtor e o exportador. Empresas que não mapearem seus fornecedores de forma técnica e legal poderão ser responsabilizadas solidariamente por infrações ambientais detectadas no produto final.

    O que a EUDR exige dos fornecedores brasileiros?

     

    A conformidade com a EUDR depende da apresentação de um conjunto robusto de dados e documentos, entre eles:

    1. Coordenadas georreferenciadas precisas da área de produção – exigidas para cada lote exportado, com base em shapefiles ou KMLs validados;
    2. Comprovação de desmatamento zero após 31 de dezembro de 2020 – por meio de imagens de satélite, relatórios técnicos, e, quando necessário, perícias independentes;
    3. Licenças ambientais, outorgas de uso de recursos hídricos e certidões fundiárias válidas e emitidas pelos órgãos competentes;
    4. Relatório de due diligence preenchido de acordo com a estrutura e os formulários oficiais da UE, com validação eletrônica e manutenção arquivada por cinco anos;
    5. Evidência de boas práticas ambientais e sociais, com foco na legalidade, transparência e respeito a direitos indígenas e de comunidades locais.

    Cada carga enviada à UE exigirá um dossiê próprio. A fiscalização será realizada digitalmente, com cruzamento de dados via sistemas europeus e bases brasileiras como o CAR, o Prodes, o Deter e o Sigef.

    Riscos para quem não se adequar

     

    A não conformidade à EUDR terá consequências severas. As penalidades incluem:

    • Bloqueio de exportações, com devolução de cargas e prejuízos logísticos;
    • Aplicação de sanções comerciais e financeiras por parte da União Europeia;
    • Perda de competitividade em mercados internacionais;
    • Cancelamento de contratos e exclusão de programas de certificação voluntária;
    • Responsabilização administrativa e judicial, inclusive da pessoa jurídica e dos gestores.

    O risco jurídico inclui ainda a abertura de investigações por omissão, fraude documental ou prestação de informação ambiental inverídica. As penalidades podem ser agravadas quando houver reincidência ou envolvimento de comunidades vulneráveis.

    Como os produtores e empresas brasileiras devem se preparar?

    O processo de adequação requer planejamento, investimento e integração entre os setores produtivo, técnico e jurídico. As principais etapas são:

    • Revisão minuciosa do Cadastro Ambiental Rural (CAR), com correção de inconsistências, sobreposições e validação junto ao órgão ambiental;
    • Implantação de tecnologias de monitoramento geoespacial, como drones, satélites de alta resolução e softwares de rastreabilidade em tempo real;
    • Organização e digitalização de todos os documentos ambientais, fundiários e de licenciamento;
    • Capacitação das equipes de campo, administração e compliance para atender aos padrões internacionais;
    • Auditorias internas e simulações de due diligence com base nas exigências da UE;
    • Contratação de suporte jurídico e técnico especializado em regulação ambiental internacional.

    O papel do exportador e da indústria

     

    O elo intermediário da cadeia desempenha papel crucial. É responsável por:

    • Estabelecer protocolos rigorosos de controle de origem e rastreabilidade, com coleta de dados primários diretamente no campo;
    • Verificar e validar informações ambientais e fundiárias de todos os fornecedores;
    • Adaptar os sistemas de gestão para atender aos relatórios eletrônicos exigidos pela EUDR;
    • Firmar contratos com cláusulas específicas sobre responsabilidade ambiental, sanções e dever de informação;
    • Estabelecer canais de auditoria e compliance ambiental permanentes.

    Negligência nessa etapa pode comprometer a cadeia inteira e gerar responsabilidade solidária do exportador por infrações cometidas na origem.

    Como a assessoria jurídica contribui para a conformidade?

    O papel do assessoramento jurídico especializado é garantir que toda a estratégia de adequação esteja sustentada legalmente. Isso envolve:

    • Análise da estrutura fundiária e ambiental da propriedade ou empreendimento exportador;
    • Mapeamento de riscos legais e passivos ambientais ocultos;
    • Adequação contratual e formalização de garantias ambientais junto a compradores e parceiros comerciais;
    • Emissão de pareceres, declarações técnicas e relatórios com valor jurídico para due diligence;
    • Representação do produtor ou empresa junto aos órgãos europeus em casos de bloqueios, contestações ou fiscalizações internacionais;
    • Integração com equipes técnicas, geógrafas, engenheiros e peritos ambientais para dar robustez ao processo.

    Conclusão: Quem se antecipa, lidera

    A EUDR representa um novo padrão regulatório internacional, que combina preocupação ambiental com rastreabilidade comercial e responsabilidade compartilhada. A adequação à regulação não é apenas uma questão legal: é estratégica.

    Produtores, cooperativas, exportadores e indústrias que compreenderem o impacto estrutural da norma e investirem em conformidade técnica, documental e jurídica estarão melhor posicionados para manter e ampliar sua atuação internacional.

    A regularidade ambiental passa a ser um ativo competitivo. E quem se antecipa, lidera.

    Sua empresa ou propriedade está preparada para cumprir com a EUDR? Fale com a Martins Zanchet Advocacia Ambiental e receba uma análise jurídica completa sobre sua conformidade com a nova regulação europeia. Antecipe-se e proteja seu acesso ao mercado internacional.


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  • TRF1 Reforça Competência da Administração Pública na Conversão de Multa Ambiental

    TRF1 Reforça Competência da Administração Pública na Conversão de Multa Ambiental

    A 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou a validade de multa ambiental aplicada pelo IBAMA contra um proprietário rural acusado de desmatar 378 hectares de vegetação nativa sem autorização. A decisão reafirma que a conversão de penalidades pecuniárias em serviços de preservação ambiental é prerrogativa da administração pública, e não um direito automático do autuado.

    Entenda o caso

    O processo teve origem no estado do Mato Grosso, onde o proprietário foi multado pelo IBAMA por infração ambiental. Em primeira instância, a Justiça Federal autorizou a conversão da multa em serviços ambientais, com base no artigo 72, § 4º, da Lei nº 9.605/1998, que trata das sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente.

    No entanto, o IBAMA recorreu da decisão, argumentando que tanto a conversão da multa quanto sua eventual redução são faculdades da autoridade administrativa, e não imposições legais.

    Decisão do TRF1

    O relator, desembargador federal Alexandre Jorge Fontes Laranjeira, destacou que a conversão da multa simples em serviços ambientais se enquadra no poder discricionário da administração pública. Ou seja, depende de critérios de conveniência, oportunidade e adequação ao caso concreto, principalmente diante da gravidade da infração cometida.

    Segundo o magistrado, o desmatamento de 378 hectares justifica a manutenção da multa, considerando o impacto ambiental e a necessidade de um caráter pedagógico nas penalidades. A turma acompanhou o voto do relator de forma unânime.

    O que muda para produtores rurais?

    A decisão reforça um ponto crucial para o setor: não há garantia legal de conversão de multa ambiental em serviços de preservação. Isso significa que o produtor deve agir preventivamente para evitar autuações, já que a negociação de penalidades dependerá da análise técnica e discricionária do órgão ambiental competente.

    Além disso, o entendimento do TRF1 serve como alerta para a importância de contar com assessoria jurídica especializada em direito ambiental, principalmente para avaliar a viabilidade de medidas alternativas, como a assinatura de Termo de Compromisso ou pedido de revisão administrativa da penalidade.

    Conclusão

    A jurisprudência reforça a autoridade do IBAMA na aplicação e gestão das sanções ambientais, ressaltando que a conversão de multa em serviços não é automática, mesmo quando prevista na legislação. Para o produtor rural, a melhor estratégia continua sendo o cumprimento rigoroso da legislação ambiental, o acompanhamento técnico-jurídico das atividades e, quando necessário, a atuação proativa na defesa administrativa e judicial.

    A Martins Zanchet Advocacia Ambiental está à disposição para auxiliar produtores e empresas rurais na regularização ambiental, na defesa contra autuações e na construção de soluções seguras e eficazes junto aos órgãos ambientais.

    Fonte: Tribunal Regional Federal da 1ª Região – TRF1 mantém multa por desmatamento e reforça competência da administração pública sobre conversão de penalidades.


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  • Nova Lei Europeia Antidesmatamento Gera Alerta no Agronegócio

    Nova Lei Europeia Antidesmatamento Gera Alerta no Agronegócio

    A nova legislação da União Europeia (UE), voltada ao combate ao desmatamento global, tem despertado preocupações crescentes no setor agroexportador brasileiro. O Brasil foi classificado como país de “risco médio”, o que, na prática, exigirá exigências adicionais de comprovação de conformidade ambiental para exportadores que comercializam produtos como carne bovina, soja, café, cacau, borracha, madeira e óleo de palma com destino ao mercado europeu.

    O que diz a nova lei europeia

     

    A regulamentação entra em vigor em 30 de dezembro de 2025 e impõe que os produtos comercializados com a UE estejam livres de desmatamento e estejam em conformidade com a legislação do país de origem. Além disso, as empresas europeias importadoras deverão apresentar declarações de diligência devida, comprovando, entre outras exigências:

    • Rastreabilidade georreferenciada dos produtos;
    • Prova de que a produção não contribuiu para o desmatamento após 31 de dezembro de 2020;
    • Informações sobre fornecedores e práticas ambientais da cadeia produtiva.

    A Comissão Europeia classificou 140 países conforme o risco: baixo, médio ou alto. O Brasil foi incluído na faixa intermediária, junto de países como Indonésia e Malásia — ficando atrás de mercados como Estados Unidos e Canadá, considerados de baixo risco.

    Impactos para o agronegócio

     

    A classificação de “risco médio” traz efeitos operacionais e econômicos significativos para o agronegócio brasileiro. Exportadores precisarão investir em:

    • Documentação adicional para cada remessa exportada;
    • Sistemas de rastreabilidade robustos, inclusive com dados geoespaciais;
    • Certificações e auditorias independentes que comprovem práticas produtivas livres de desmatamento.

    A exigência cria desafios principalmente para pequenos e médios produtores, que podem enfrentar dificuldades técnicas e financeiras para cumprir as novas regras. Há também o risco de perda de competitividade no mercado europeu, com potencial redirecionamento de compras para fornecedores de países classificados como “baixo risco”.

    Reação do governo brasileiro

     

    O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) classificou a legislação europeia como “unilateral e discriminatória”. Em nota oficial, o governo brasileiro apontou que a norma desconsidera os esforços nacionais de combate ao desmatamento ilegal e preservação de vegetação nativa.

    Segundo o Itamaraty, a medida impõe ônus desproporcionais à agricultura tropical, prejudicando especialmente países exportadores que mantêm compromissos ambientais e possuem sistemas produtivos altamente regulados, como é o caso do Brasil. O governo também alertou que a ausência de diálogo multilateral e de reconhecimento dos avanços nacionais compromete o equilíbrio comercial e a previsibilidade jurídica nas relações internacionais.

    Caminhos para o setor agroexportador

    Diante desse novo cenário regulatório, empresas brasileiras precisarão se adaptar rapidamente para manter acesso ao mercado europeu sem prejuízo comercial. Algumas ações estratégicas incluem:

    • Adotar ou ampliar programas de rastreabilidade e controle fundiário;
    • Investir em certificações com reconhecimento internacional, como FSC, RTRS e outras vinculadas a produção responsável;
    • Revisar contratos comerciais com compradores europeus, alinhando responsabilidades relacionadas à diligência devida;
    • Monitorar atualizações da legislação e diálogos diplomáticos entre Brasil e União Europeia.

    Como o Martins Zanchet Advocacia Ambiental pode ajudar

    O Martins Zanchet Advocacia Ambiental possui expertise jurídica em comércio internacional, regulação ambiental e compliance para o setor agroexportador. Nosso escritório está preparado para:

    • Elaborar estratégias jurídicas de adequação às exigências da UE;
    • Assessorar na implantação de sistemas de rastreabilidade e responsabilidade socioambiental;
    • Auxiliar na negociação de cláusulas contratuais e defesa de interesses comerciais no exterior;
    • Acompanhar e interpretar desdobramentos legais e diplomáticos relacionados à legislação europeia.

    Conclusão

    A nova Lei Europeia Antidesmatamento representa um desafio imediato, mas também uma oportunidade estratégica para profissionalizar cadeias produtivas, garantir segurança jurídica e preservar acesso a mercados de alto valor agregado. Empresas e produtores que se adaptarem mais rapidamente terão vantagem competitiva e maior previsibilidade regulatória, inclusive em outros mercados exigentes como Reino Unido e Estados Unidos.

    O Martins Zanchet Advocacia Ambiental permanece à disposição para orientar o setor rural e exportador brasileiro em todas as etapas de adaptação e defesa de seus interesses comerciais.

    Fonte: Poder360 – “Lei europeia contra desmatamento é discriminatória, diz Itamaraty”.


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  • STF Anula Lei da Bahia que Permitia Supressão de Vegetação

    STF Anula Lei da Bahia que Permitia Supressão de Vegetação

    O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional parte da Lei Estadual nº 10.431/2006, da Bahia, que permitia aos municípios autorizarem a supressão de vegetação nativa em áreas da Mata Atlântica e da Zona Costeira para a implantação de empreendimentos. A decisão unânime foi proferida em sessão virtual encerrada em 28 de março de 2025, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7007, movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

    O que estava em discussão

    A norma baiana, que trata da Política de Meio Ambiente e de Proteção à Biodiversidade do Estado da Bahia, concedia aos municípios competência para emitir licenças ambientais, inclusive em áreas protegidas nacionalmente. A PGR argumentou que a lei feria o pacto federativo e as normas federais de proteção ambiental, por ser menos protetiva que a legislação nacional vigente.

    O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, afirmou em seu voto que a norma estadual contrariava os preceitos constitucionais de repartição de competências. Zanin destacou que tanto a Mata Atlântica quanto a Zona Costeira são patrimônios nacionais e estão protegidos por legislações federais específicas, como:

    • Lei 6.938/1981 – Política Nacional do Meio Ambiente;

    • Lei 11.428/2006 – Lei da Mata Atlântica;

    • Lei 7.661/1988 – Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro.

    Entendimento do STF

    Segundo o relator, a norma baiana “é demasiadamente genérica” ao delegar aos municípios o licenciamento de atividades que envolvam áreas sensíveis, abrangendo inclusive faixas terrestres e marítimas protegidas. Para o STF, essa delegação ofende a Constituição Federal, pois fragiliza o sistema de proteção ambiental, permitindo o desmatamento em áreas cujo licenciamento deve observar parâmetros federais.

    Zanin também reforçou que a decisão não impede que os municípios atuem no licenciamento ambiental, mas somente em casos de impacto local e pequeno porte, como estruturas simples em áreas urbanas consolidadas. Empreendimentos maiores ou com potencial de impacto mais amplo exigem análise de instâncias superiores, como órgãos estaduais ou federais, a depender do caso.

    Como o Martins Zanchet Advocacia Ambiental pode ajudar

    Diante de decisões como essa, o Martins Zanchet Advocacia Ambiental atua com foco em garantir segurança jurídica e conformidade regulatória para seus clientes — tanto entes públicos quanto empreendedores privados. Nosso escritório está preparado para:

    • Analisar a legalidade de licenças ambientais já emitidas à luz da jurisprudência atual do STF;

    • Orientar municípios e secretarias de meio ambiente quanto aos limites de competência no licenciamento ambiental;

    • Atuar na regularização de empreendimentos localizados em áreas da Mata Atlântica e da Zona Costeira;

    • Defender interesses de produtores, empresas e construtoras em ações civis públicas, embargos e autos de infração relacionados a áreas protegidas;

    • Apoiar na formulação de políticas municipais ambientais alinhadas com a legislação federal e constitucional.

    Conclusão

    A decisão do STF reforça a importância do princípio da precaução e da hierarquia normativa no sistema de proteção ambiental brasileiro. O licenciamento de empreendimentos em áreas sensíveis, como a Mata Atlântica e a Zona Costeira, exige não apenas planejamento técnico e jurídico, mas também aderência estrita à legislação federal.

    É essencial que municípios, empreendedores e técnicos ambientais compreendam os limites de atuação local e estejam preparados para adequar seus projetos às exigências legais superiores. O Martins Zanchet Advocacia Ambiental segue acompanhando de perto as decisões dos tribunais superiores para oferecer assessoria atualizada, segura e eficaz em matéria ambiental.

    Fonte: Supremo Tribunal Federal – Sessão virtual do julgamento da ADI 7007.


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