Tag: fauna silvestre

  • Exportação de Fauna Silvestre no Brasil: Como Funciona a Legislação para Empresas Internacionais

    Exportação de Fauna Silvestre no Brasil: Como Funciona a Legislação para Empresas Internacionais

    O Brasil é reconhecido mundialmente por sua megadiversidade biológica. Com centenas de milhares de espécies animais, muitas endêmicas, o país desperta o interesse de empresas internacionais envolvidas em pesquisa científica, biotecnologia, controle biológico e comércio autorizado de fauna silvestre.

    Recentemente, o interesse de uma empresa estrangeira em exportar besouros brasileiros reforça a importância de compreender, em detalhes, o arcabouço legal que regula o acesso e a exploração da fauna silvestre no território nacional. A legislação ambiental brasileira, em conjunto com tratados internacionais como a CITES, impõe regras rigorosas para garantir a conservação das espécies e coibir o tráfico de animais.

    Neste artigo, oferecemos uma visão completa e técnica para empresas internacionais que desejam atuar de forma legal e segura na exportação de fauna silvestre a partir do Brasil.

     

    O que é fauna silvestre segundo a legislação brasileira?

    De acordo com a Lei nº 5.197/1967, fauna silvestre é composta por todos os animais nativos, migratórios e quaisquer outros que tenham seu ciclo de vida natural parcial ou totalmente desenvolvido dentro do território brasileiro.

    Inclui-se:

    • Espécies terrestres e aquáticas;
    • Insetos, aves, répteis, mamíferos e anfíbios;
    • Animais encontrados em vida livre ou sob manejo autorizado.

    Essa definição é fundamental, pois todas as espécies de fauna silvestre são bens de interesse público e protegidas pelo Estado, independentemente de estarem em área pública ou privada.

     

    A atuação do IBAMA e os controles legais

    O órgão federal responsável pelo controle da fauna silvestre é o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Ele regula:

    • Criação e manejo de fauna silvestre;
    • Comércio interno e externo de animais vivos ou seus produtos;
    • Autorização para exportação de espécies;
    • Emissão de licenças e certificações ambientais.

    Todas as operações com fauna silvestre — inclusive para exportação — devem estar previamente autorizadas pelo IBAMA, que atua por meio do sistema eletrônico SISPASS (Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros Silvestres) e do sistema CITES/IBAMA.

     

    CITES: A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção

    O Brasil é signatário da CITES, tratado internacional que regula o comércio de espécies ameaçadas de extinção. Assim, qualquer operação de exportação de espécies constantes nos Apêndices I, II ou III da CITES exige:

    • Licença CITES emitida pelo IBAMA;
    • Certidão de origem legal da espécie;
    • Registro atualizado do criadouro ou da instituição exportadora;
    • Comprovação de que o comércio não impacta a conservação da espécie.

    A CITES classifica as espécies em três apêndices:

    • Apêndice I: comércio proibido, salvo em casos científicos;
    • Apêndice II: comércio permitido com controle rigoroso;
    • Apêndice III: espécies protegidas por pelo menos um país signatário.

    A ausência de licença CITES configura infração administrativa e crime ambiental, com penas severas.

     

    Registro de criadouros e instituições exportadoras

    Para que uma empresa internacional possa adquirir fauna brasileira de forma legal, o fornecedor nacional (criadouro ou instituição científica) precisa estar:

    • Regularmente registrado junto ao IBAMA como Criadouro Comercial ou Científico;
    • Com licenciamento ambiental ativo;
    • Cumprindo normas sanitárias, de bem-estar animal e de rastreabilidade;
    • Emitindo nota fiscal e documentação legal para cada espécime.

    Empresas estrangeiras não podem adquirir animais diretamente da natureza. Apenas indivíduos oriundos de criadouros legalizados podem ser exportados, mediante comprovação de origem e certificação emitida pelo órgão ambiental.

    Além disso, o criadouro deve manter registros detalhados de nascimentos, mortes, transferências e tratamentos dos animais.

     

    Exportação de insetos: regras específicas e desafios

     

    Insetos como besouros, abelhas, mariposas e outros artrópodes têm despertado interesse comercial por seu uso em:

    • Controle biológico de pragas;
    • Pesquisa genética;
    • Fabricação de cosméticos e medicamentos;
    • Educação e museus de história natural.

    No entanto, mesmo insetos estão sujeitos às normas ambientais e sanitárias. Para exportar besouros, por exemplo, é preciso:

    • Obter autorização específica do IBAMA;
    • Verificar se a espécie está listada na CITES ou em listas de espécies ameaçadas nacionais;
    • Demonstrar finalidade científica, comercial lícita ou educacional;
    • Cumprir regras do MAPA (Ministério da Agricultura) quanto ao controle sanitário.

    Ignorar essas exigências pode levar à apreensão da carga, proibição de novos pedidos de exportação e até processos criminais.

     

    Riscos penais e administrativos para empresas internacionais

     

    O Brasil adota o princípio da responsabilidade objetiva ambiental, o que significa que a empresa pode ser punida independentemente de dolo ou culpa, caso participe de operação irregular com fauna silvestre.

    Riscos incluem:

    • Multas administrativas que ultrapassam R$ 1 milhão por operação;
    • Embargos de atividades e suspensão de licenças;
    • Ações civis públicas com pedidos de indenização por dano ambiental;
    • Responsabilidade penal de diretores e sócios, inclusive estrangeiros;
    • Inclusão em cadastros negativos, prejudicando relações comerciais globais.

     

    Boas práticas para empresas internacionais

     

    Empresas estrangeiras que desejam atuar com fauna brasileira devem:

    • Iniciar o processo com assessoria jurídica e técnica especializada no Brasil;
    • Verificar a legalidade do criadouro ou fornecedor nacional;
    • Consultar a lista CITES e a lista de espécies ameaçadas do ICMBio;
    • Documentar todas as etapas do processo, com rastreabilidade completa;
    • Adotar padrões internacionais de bem-estar animal e conservação.

    A legalidade da operação é um diferencial competitivo e protege a empresa de riscos severos.

     

    Conclusão

    A exportação de fauna silvestre brasileira pode representar um campo promissor de negócios sustentáveis, inovação e pesquisa. No entanto, é um setor extremamente regulado, e qualquer desvio — mesmo por desconhecimento — pode gerar sanções graves.

    Empresas internacionais devem investir em conformidade legal, rastreabilidade e responsabilidade ambiental para operar de forma ética e segura.

    Sua empresa deseja exportar fauna silvestre do Brasil de forma legal e segura? Fale com a equipe da Martins Zanchet Advocacia Ambiental e conte com especialistas em legislação ambiental e internacional para viabilizar seu projeto com responsabilidade e segurança jurídica.


     

     

    Whatsapp      Instagram    Youtube

    LinkedIn    Facebook

     

    Agende uma Reunião e veja como podemos ajudar

    [us_vwrapper][us_btn align=”center” label=”Agende sua reunião” link=”%7B%22url%22%3A%22https%3A%2F%2Fmartinsezanchet.com.br%2Fcontato%2F%22%2C%22target%22%3A%22_blank%22%7D” style=”1″ css=”%7B%22default%22%3A%7B%22animation-name%22%3A%22afc%22%7D%7D”][/us_vwrapper]


    Veja também!

    Posso construir em Áreas de Preservação Permanente – APP?

    Assista ao Nosso Podcast!

    aOu acesse diretamente pelo nosso canal do YouTube clicando AQUI!

  • Keko, o papagaio, agora está oficialmente regularizado

    Keko, o papagaio, agora está oficialmente regularizado

    A Martins Zanchet conquistou mais um resultado especial na área ambiental: a regularização completa do papagaio-verdadeiro Keko, garantindo segurança jurídica e tranquilidade definitiva para sua família tutora.

    O processo foi conduzido pela Dra. Graziela Resende, que atuou diretamente em todas as etapas até a emissão da certidão oficial pelo órgão ambiental competente. Com o documento validado, os tutores passam a ter plena garantia de que podem manter o Keko em casa, viajar com ele e realizar procedimentos veterinários especializados sem receio de penalidades ou apreensões.

    Um caso sensível e cheio de afeto

    O Keko vive com a família há anos e possui forte vínculo afetivo com todos. Como acontece com muitas aves de longa vida — especialmente espécies brasileiras emblemáticas, como o papagaio-verdadeiro — o cuidado cotidiano leva a uma relação quase familiar. Por isso, a regularização coloca fim a uma fase de incertezas e abre espaço para que o Keko continue fazendo parte da rotina dos tutores com segurança total.

    Tranquilidade para viajar, cuidar e conviver

    Com o registro oficial, o Keko passa a:

    • ter reconhecimento formal como animal legalizado;

    • poder acompanhar a família em viagens;

    • receber atendimento veterinário especializado sem restrições;

    • estar protegido contra riscos de apreensões e sanções;

    • viver em conformidade plena com a legislação ambiental vigente.

    Essa conquista transforma o cotidiano da família e reforça a importância da regularização responsável de animais silvestres criados em ambiente doméstico.

    Como a Martins Zanchet ajudou

    Sob a condução técnica da Dra. Graziela Resende, a Martins Zanchet atuou em:

    • análise e organização da documentação necessária;

    • orientação jurídica detalhada aos tutores;

    • condução do processo perante o órgão ambiental;

    • acompanhamento das exigências administrativas;

    • obtenção da certidão definitiva que reconhece a guarda regularizada.

    O caso reforça o compromisso da Martins Zanchet com soluções ambientais humanizadas, legais e seguras, especialmente nos processos que envolvem relações afetivas profundas entre famílias e seus animais.

    Fonte:

    Certidão de regularização do papagaio Keko, emitida pelo órgão ambiental competente.


     

     

    Whatsapp      Instagram    Youtube

    LinkedIn    Facebook

     

    Agende uma Reunião e veja como podemos ajudar

    [us_vwrapper][us_btn align=”center” label=”Agende sua reunião” link=”%7B%22url%22%3A%22https%3A%2F%2Fmartinsezanchet.com.br%2Fcontato%2F%22%2C%22target%22%3A%22_blank%22%7D” style=”1″ css=”%7B%22default%22%3A%7B%22animation-name%22%3A%22afc%22%7D%7D”][/us_vwrapper]


    Veja também!

    Posso construir em Áreas de Preservação Permanente – APP?

    Assista ao Nosso Podcast!

    aOu acesse diretamente pelo nosso canal do YouTube clicando AQUI!

  • Banhista com suposto treinamento resgata baleia franca presa em rede e gera debate jurídico

    Banhista com suposto treinamento resgata baleia franca presa em rede e gera debate jurídico

    Autoridades confirmam presença no local; ação voluntária divide especialistas sobre legalidade e riscos
    Entre os dias 10 e 13 de julho, uma baleia-franca-austral ficou presa em uma rede de pesca na Praia da Ponta do Papagaio, em Palhoça (SC). Um vídeo viralizou, mostrando um banhista que, segundo relato do fotógrafo Carlos Anselmo ao NSC Total, possuía “conhecimento e treinamento em resgates”, ao cortar o material e libertar o animal e seu filhote. Durante esse período, equipes do Corpo de Bombeiros Militar de SC e da Polícia Militar Ambiental monitoraram a ocorrência, chegando a avaliar que a rede não comprometia a mobilidade do mamífero.

    O que dizem os órgãos oficiais

    • O Corpo de Bombeiros esteve presente desde o primeiro dia, avaliando que a rede não impedia a submersão ou alimentação da baleia.
    • A PM Ambiental acompanhou com drones, confirmando que o animal conseguia mergulhar normalmente.

    Questões jurídicas em foco

     

    1. Monopólio do Estado sobre resgates
    O IBAMA e o Corpo de Bombeiros possuem competência exclusiva para resgates e atendimento à fauna silvestre. Intervenções civis, mesmo bem-intencionadas, podem violar o monopólio estatal, configurando infração administrativa ou penal.

    2. Tipificação legal
    • Infração administrativa ambiental: o artigo 70 da Lei 9.605/98 veda qualquer ação que cause dano à fauna silvestre sem autorização.
    • Crime ambiental: se a intervenção causar lesão ou aumentar o risco ao animal ou ao ambiente, pode enquadrar-se no art. 29 da mesma lei.

    3. Suposta capacitação do banhista
    A NSC afirma que o homem “contava com conhecimento e treinamento em resgates”, porém, não há confirmação de certificação técnica — por exemplo, credenciamento no IBAMA ou vínculo formal com órgãos ambientais. Essa distinção é crucial: treinamento amador não equivale a autorização legal.

    4. Potenciais riscos
    • Intervenções amadoras podem ferir o animal ou pôr em risco a própria pessoa, já que baleias são fortes e imprevisíveis.
    • Cortar redes de pesca é uma intervenção no patrimônio alheio – prejudicando terceiros (os pescadores).
    • Essas implicações reforçam a necessidade de acompanhamento jurídico sobre eventuais processos administrativos ou criminais.

    5. Estado da investigação
    Até o momento, não há informações públicas sobre instauração de procedimento pelo IBAMA ou Polícia Ambiental, embora a presença das equipes sugira acompanhamento da situação. A abertura de inquérito ou auto de infração não foi mencionada nos veículos noticiosos.

    Aprofundamentos recomendados

    • Identificar e entrevistar o banhista para averiguar a real formação em resgates.
    • Checar se o IBAMA abriu processo administrativo por atuação sem autorização.
    • Ouvir pescadores da região sobre possíveis prejuízos.
    • Contextualizar a baleia-franca-austral, espécie ameaçada, em fase crucial da migração – ressaltando os impactos de redes de pesca na fauna marinha.

    Conclusão e recomendação

    O resgate da baleia pode parecer heróico, mas carece de enquadramento legal e técnico preciso. A boa-fé da conduta pode ser vista como atenuante, porém, não isenta o responsável de eventuais sanções.

    Casos como o da baleia presa em rede evidenciam como ações motivadas pela empatia e pelo senso de urgência podem esbarrar em normas legais específicas e rígidas. Ainda que a conduta do banhista tenha sido movida por uma intenção nobre, a legislação ambiental brasileira estabelece limites claros sobre quem pode intervir em situações que envolvem fauna silvestre — especialmente espécies ameaçadas e em áreas de proteção marinha.

    Diante desse cenário, é essencial que qualquer pessoa envolvida em episódios semelhantes busque assessoria jurídica especializada em Direito Ambiental, garantindo que sejam analisados corretamente os riscos envolvidos, orientando sobre procedimentos legais cabíveis e atuando, se necessário, na defesa administrativa ou judicial, evitando sanções desproporcionais ou indevidas.

    A atuação consciente e tecnicamente fundamentada é a melhor forma de proteger o meio ambiente — e também os cidadãos que, por vocação ou impulso solidário, decidem agir em sua defesa.

    Fonte: NSC Total


    Whatsapp      Instagram    Youtube

    LinkedIn    Facebook

    Agende uma Reunião e veja como podemos ajudar

    [us_vwrapper][us_btn align=”center” label=”Agende sua reunião” link=”%7B%22url%22%3A%22https%3A%2F%2Fmartinsezanchet.com.br%2Fcontato%2F%22%2C%22target%22%3A%22_blank%22%7D” style=”1″ css=”%7B%22default%22%3A%7B%22animation-name%22%3A%22afc%22%7D%7D”][/us_vwrapper]


    Veja também!

    Posso construir em Áreas de Preservação Permanente – APP?

    Assista ao Nosso Podcast!

    Ou acesse diretamente pelo nosso canal do YouTube clicando AQUI!