Tag: Resolução CMN 5303 2026

  • Crédito Rural, EUDR e Agronegócio: por que pequenas, médias e grandes empresas precisam de advogados experientes antes que o risco vire prejuízo

    Crédito Rural, EUDR e Agronegócio: por que pequenas, médias e grandes empresas precisam de advogados experientes antes que o risco vire prejuízo

    O agronegócio brasileiro vive uma mudança estrutural. O crédito rural, que durante muitos anos foi tratado principalmente como instrumento financeiro de custeio, investimento e expansão produtiva, passou a exigir uma leitura muito mais ampla. Hoje, acessar crédito não depende apenas de capacidade de pagamento, garantias reais ou histórico bancário. Depende também de regularidade ambiental, conformidade documental, gestão de risco socioambiental, rastreabilidade produtiva e adequação às novas exigências nacionais e internacionais.

    Esse movimento se intensificou com as normas do Conselho Monetário Nacional sobre impedimentos sociais, ambientais e climáticos para concessão de crédito rural. A Resolução CMN nº 5.303/2026 alterou a Seção 9 do Capítulo 2 do Manual de Crédito Rural, justamente no ponto que trata das condições socioambientais aplicáveis ao financiamento rural. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, os ajustes buscam ampliar a previsibilidade da implementação das regras, especialmente quanto à verificação de supressão de vegetação nativa ilegal em imóveis rurais.

    Ao mesmo tempo, o mercado internacional passou a pressionar de forma mais direta as cadeias produtivas do agro. A União Europeia aprovou o Regulamento 2023/1115, conhecido como EUDR, voltado a produtos livres de desmatamento. A norma alcança commodities relevantes para o Brasil, como gado, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira, além de produtos derivados listados no regulamento europeu.

    Esse cenário demonstra que pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio precisam enxergar a contratação de advogados experientes em crédito rural, Direito Ambiental e EUDR não como um custo adicional, mas como uma medida estratégica de proteção econômica, acesso a financiamento, permanência em mercados e prevenção de passivos. No agro contemporâneo, quem não organiza juridicamente sua operação corre o risco de perder crédito, contratos, compradores, exportações e competitividade.

    Crédito rural deixou de ser apenas operação bancária e passou a exigir governança jurídica ambiental

    A contratação de advogados experientes em crédito rural tornou-se indispensável porque as instituições financeiras passaram a operar sob um ambiente regulatório cada vez mais conectado à regularidade socioambiental dos imóveis e empreendimentos rurais. O banco não analisa apenas a viabilidade econômica da atividade. Ele também precisa verificar impedimentos sociais, ambientais e climáticos, conforme as regras do Manual de Crédito Rural.

    A atualização promovida pelo CMN estabeleceu novas datas para que instituições financeiras verifiquem a ocorrência de supressão de vegetação nativa no imóvel rural após 31 de julho de 2019, por meio de consulta à lista disponibilizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, elaborada com base em dados do Prodes, do INPE. Os prazos foram escalonados conforme o porte do imóvel: 4 de janeiro de 2027 para imóveis com área superior a 15 módulos fiscais, 1º de julho de 2027 para imóveis com área superior a 4 e até 15 módulos fiscais, e 3 de janeiro de 2028 para imóveis com até 4 módulos fiscais.

    Esse ponto é decisivo para pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio. A pequena empresa rural, muitas vezes familiar ou com estrutura administrativa reduzida, pode enfrentar dificuldade para organizar Cadastro Ambiental Rural, matrícula, autorizações, mapas, contratos, termos de compromisso e documentos técnicos. A média empresa pode ter maior volume operacional, múltiplas áreas, arrendamentos, parcerias e financiamentos simultâneos. A grande empresa, por sua vez, normalmente possui cadeia complexa, fornecedores, integração produtiva, exposição reputacional, auditorias, certificações, operações estruturadas e relacionamento com compradores nacionais e internacionais.

    Em todos esses perfis, o advogado especializado tem papel central. Ele não atua apenas quando o crédito é negado. Ele deve atuar antes, estruturando a documentação ambiental, avaliando riscos do imóvel, verificando passivos, analisando eventuais embargos, autos de infração, sobreposições, inconsistências no CAR, histórico de supressão vegetal, regularidade de licenças, autorizações de supressão e documentos aptos a comprovar conformidade.

    A importância dessa atuação preventiva está no fato de que uma negativa de crédito pode comprometer toda a operação produtiva. Para o pequeno produtor empresarial, pode significar ausência de recursos para custeio da safra. Para a média empresa, pode afetar fluxo de caixa, compra de insumos, expansão e renegociação de dívidas. Para grandes empresas, pode gerar impacto em contratos, planejamento financeiro, rating de risco, governança ESG e relacionamento com bancos e investidores.

    A assessoria jurídica experiente permite que o cliente rural compreenda que crédito rural não é apenas aprovação bancária. É também conformidade regulatória. É capacidade de demonstrar, com documentos e fundamentos jurídicos, que a operação não está impedida por questões ambientais, sociais ou climáticas. No novo contexto do agro, regularidade ambiental passou a ser instrumento de acesso a capital.

    Empresas do agronegócio precisam de advogados que saibam transformar regularidade ambiental em segurança financeira

    Um dos maiores erros de gestão no agronegócio é separar a estratégia ambiental da estratégia financeira. Hoje, essa separação não se sustenta. Um problema ambiental pode gerar multa, embargo, ação civil pública, termo de ajustamento de conduta, dificuldade de licenciamento e, também, restrição ao crédito. A consequência prática é clara: o passivo ambiental deixou de ser apenas jurídico e passou a ser também financeiro.

    Por isso, empresas pequenas, médias e grandes precisam de advogados que compreendam a lógica do crédito rural e saibam fazer a ponte entre Direito Ambiental, Direito Administrativo Sancionador, Manual de Crédito Rural, documentação fundiária, regularização ambiental e operação bancária. A atuação deve ser integrada, porque o problema quase nunca está em um único documento. Ele normalmente surge da soma de informações dispersas: CAR, matrícula, imagens de satélite, relatório ambiental, auto de infração, embargo, contrato de arrendamento, autorização de supressão, termo de compromisso e certidões.

    A Resolução CMN nº 5.303/2026 reforça a possibilidade de apresentação de documentos para comprovação de regularidade ambiental, inclusive no contexto de supressão de vegetação nativa. O Ministério da Agricultura destacou que as medidas buscam assegurar crédito a produtores que estejam em conformidade com os mecanismos de controle previstos na legislação ambiental, permitindo prazo de adequação e apresentação de outros documentos que comprovem regularidade.

    Esse detalhe é fundamental. Muitas vezes, o produtor ou a empresa rural não estão necessariamente em situação ambiental irregular, mas não conseguem demonstrar juridicamente sua regularidade. A área pode ter autorização válida. A supressão pode ser anterior ao marco temporal considerado pela norma. O imóvel pode estar em processo de regularização. O embargo pode atingir apenas parte da propriedade. O tomador do crédito pode não ser responsável direto pela infração. A informação em base pública pode estar desatualizada ou imprecisa. Sem advogado experiente, essas nuances podem ser ignoradas pela instituição financeira.

    Para pequenas empresas, o advogado pode atuar na organização básica da conformidade: CAR, matrícula, contratos, documentos ambientais mínimos, certidões e análise de risco para acesso a custeio e investimento. Para médias empresas, pode estruturar política de compliance rural, revisar contratos com fornecedores, arrendatários e parceiros, além de criar dossiês ambientais para operações de crédito. Para grandes empresas, a atuação deve alcançar governança robusta, auditoria de cadeia, due diligence socioambiental, avaliação de fornecedores, resposta a bancos, relacionamento com compradores internacionais e gestão de riscos reputacionais.

    Esse tipo de advocacia não é meramente contenciosa. É uma advocacia preventiva, estratégica e econômica. O advogado experiente ajuda a empresa a evitar que o problema apareça no momento mais sensível: quando o recurso financeiro é necessário para plantar, colher, exportar, investir, renegociar ou manter a operação em funcionamento.

    No agronegócio moderno, regularidade ambiental bem documentada vale dinheiro. Ela facilita crédito, reduz risco contratual, melhora a posição perante bancos, fortalece a empresa em negociações e protege a continuidade produtiva. Por isso, contratar advogado especializado em crédito rural e Direito Ambiental é uma decisão empresarial, não apenas jurídica.

    O conhecimento da EUDR será decisivo para quem quer acessar mercado, crédito e cadeias internacionais

    A EUDR eleva ainda mais o grau de exigência sobre o agronegócio. O regulamento europeu proíbe a colocação no mercado da União Europeia, ou a exportação a partir dele, de produtos relevantes que não sejam livres de desmatamento, que não tenham sido produzidos conforme a legislação do país de produção e que não estejam acompanhados de declaração de diligência devida.

    Embora a obrigação formal recaia diretamente sobre operadores e comerciantes que colocam produtos no mercado europeu ou exportam a partir da União Europeia, os efeitos práticos alcançam toda a cadeia produtiva. Empresas brasileiras que produzem, compram, processam, financiam ou exportam commodities vinculadas ao mercado europeu precisarão demonstrar rastreabilidade, origem lícita, regularidade ambiental e controle documental. A Comissão Europeia informa que operadores e comerciantes deverão provar que os produtos não se originam de terras recentemente desmatadas nem contribuíram para degradação florestal.

    As datas atuais de aplicação também exigem planejamento imediato. Segundo a Comissão Europeia, a entrada em aplicação da EUDR está prevista para 30 de dezembro de 2026 para grandes e médios operadores, 30 de junho de 2027 para micro e pequenos operadores, e 30 de dezembro de 2026 para micro e pequenos operadores já abrangidos pelo antigo Regulamento Europeu da Madeira.

    Esse calendário é extremamente relevante para o agro brasileiro. Pequenas empresas que fornecem para cooperativas, tradings, frigoríficos, exportadores ou indústrias podem ser chamadas a apresentar informações de origem, geolocalização, histórico da área e comprovação de conformidade. Médias empresas precisarão organizar seus fornecedores, contratos e controles internos. Grandes empresas precisarão estruturar programas robustos de diligência, rastreabilidade e resposta documental para compradores, bancos, seguradoras, auditorias e autoridades estrangeiras.

    A EUDR também exige atenção porque não se limita ao desmatamento ilegal conforme a legislação brasileira. O regulamento trabalha com a ideia de produto livre de desmatamento e com marco temporal próprio, conectado à data de 31 de dezembro de 2020. Isso significa que a discussão não será apenas sobre existência ou não de autorização ambiental nacional, mas também sobre adequação ao padrão regulatório europeu aplicável ao mercado de destino. Essa diferença torna indispensável a atuação de advogados que compreendam simultaneamente o Direito Ambiental brasileiro e as exigências regulatórias internacionais.

    O advogado experiente em EUDR pode auxiliar empresas do agronegócio em várias frentes: análise de exposição da cadeia produtiva, revisão de contratos de fornecimento, cláusulas de rastreabilidade, obrigações de informação, matriz de riscos, due diligence de fornecedores, organização de documentos ambientais, avaliação de imóveis rurais, resposta a compradores internacionais, estruturação de políticas internas e integração entre compliance ambiental e crédito rural.

    Esse conhecimento será cada vez mais relevante também para operações financeiras. Bancos e instituições de crédito tendem a considerar riscos de mercado, riscos de exportação, riscos reputacionais e riscos socioambientais ao avaliar empresas do agro. Uma empresa que não consegue demonstrar origem regular, rastreabilidade e conformidade ambiental pode enfrentar dificuldades não apenas para vender para a Europa, mas também para obter crédito em boas condições, atrair investimentos e participar de cadeias comerciais mais exigentes.

    Em síntese, a EUDR transforma conformidade ambiental em requisito de mercado. O produtor e a empresa rural que enxergarem isso apenas como exigência estrangeira podem perder espaço. Quem se antecipar, organizar documentos, mapear fornecedores, revisar contratos e estruturar governança terá vantagem competitiva.

    A contratação de advogados experientes em crédito rural, Direito Ambiental e EUDR é, portanto, uma decisão estratégica para pequenas, médias e grandes empresas do agronegócio. O pequeno precisa de orientação para não ser excluído do crédito e das cadeias comerciais por falta de documentação. O médio precisa de estrutura para crescer com segurança. O grande precisa de governança sofisticada para proteger mercado, reputação e financiamento.

    O novo agro não será definido apenas por quem produz mais. Será definido por quem consegue provar melhor a regularidade daquilo que produz. E, nesse cenário, o advogado especializado deixa de ser chamado apenas depois do problema. Ele passa a ser peça central da estratégia empresarial, financeira e ambiental do agronegócio.

    Referências utilizadas

    1. Resolução CMN nº 5.303, de 12 de maio de 2026, Banco Central do Brasil: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?numero=5303&tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o+CMN
    2. Notícia do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre ajustes nas normas de impedimentos socioambientais e climáticos para crédito rural: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/cmn-ajusta-normas-referentes-a-impedimentos-sociais-ambientais-e-climaticos-para-a-concessao-de-credito-rural
    3. Regulamento (UE) 2023/1115, EUDR, texto oficial no EUR-Lex: https://eur-lex.europa.eu/eli/reg/2023/1115/oj/eng
    4. Comissão Europeia, Regulation on Deforestation-free Products: https://environment.ec.europa.eu/topics/forests/deforestation/regulation-deforestation-free-products_en

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  • Crédito Rural, Regularidade Ambiental e Segurança Econômica: por que o produtor rural precisa de advogado especializado antes do banco dizer “não”

    Crédito Rural, Regularidade Ambiental e Segurança Econômica: por que o produtor rural precisa de advogado especializado antes do banco dizer “não”

    O crédito rural deixou de ser apenas uma operação financeira. Cada vez mais, ele se tornou também uma operação jurídica, ambiental, documental e estratégica. O produtor rural que pretende financiar sua atividade, ampliar sua produção, investir em tecnologia, custeio, maquinário, infraestrutura ou regularização da propriedade precisa compreender que a conformidade ambiental passou a ocupar posição central na análise de risco das instituições financeiras.

    A recente atualização promovida pelo Conselho Monetário Nacional nas regras sobre impedimentos sociais, ambientais e climáticos para concessão de crédito rural confirma essa mudança de realidade. A Resolução CMN nº 5.303, de 12 de maio de 2026, alterou normas da Seção 9 do Capítulo 2 do Manual de Crédito Rural, justamente no ponto que trata das condições socioambientais para acesso ao crédito rural. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, as medidas buscam ampliar a previsibilidade da aplicação das regras, especialmente quanto à verificação de supressão de vegetação nativa ilegal em imóveis rurais.

    Esse novo cenário exige do produtor rural uma postura preventiva. Não basta mais procurar advogado apenas depois da negativa do banco, da inscrição em lista restritiva, da autuação ambiental ou da paralisação de uma operação. A atuação jurídica precisa ocorrer antes, com análise documental, avaliação dos riscos ambientais da propriedade, verificação da situação do Cadastro Ambiental Rural, análise de eventuais autorizações de supressão, termos de compromisso, embargos, autos de infração, passivos ambientais e eventuais inconsistências em bases oficiais.

    Por isso, o produtor rural precisa ser assessorado por advogado que domine profundamente Direito Ambiental, Direito Administrativo Sancionador, regularização ambiental de imóveis rurais e a lógica regulatória do crédito rural. A questão não é apenas “ter um advogado”. A questão é ter ao lado um profissional capaz de compreender como uma pendência ambiental pode afetar diretamente o financiamento da atividade produtiva.

    1. O crédito rural passou a depender cada vez mais da regularidade socioambiental da propriedade

    Durante muito tempo, muitos produtores rurais enxergaram a regularidade ambiental apenas como uma preocupação relacionada a fiscalização, multa ou embargo. Essa visão, hoje, é insuficiente. A regularidade ambiental passou a impactar também o acesso ao crédito, a relação com bancos, a capacidade de investimento, a competitividade do negócio rural e a própria continuidade econômica da atividade produtiva.

    De acordo com a atualização anunciada pelo Ministério da Agricultura, as instituições financeiras deverão observar novas datas para verificação da ocorrência de supressão de vegetação nativa no imóvel rural após 31 de julho de 2019. Essa verificação será feita por meio de consulta à lista disponibilizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, elaborada com base em dados do Prodes, projeto de monitoramento do desmatamento na Amazônia Legal por satélite, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

    O ponto é extremamente relevante. A concessão do crédito rural passa a se relacionar de forma direta com informações ambientais do imóvel. Assim, uma inconsistência, uma supressão não regularizada, uma ausência documental, uma divergência entre bases públicas, uma pendência no CAR ou uma interpretação equivocada sobre a área podem gerar entraves concretos na liberação do financiamento.

    A nova regra também estabeleceu um cronograma escalonado de aplicação conforme o porte do imóvel rural. A exigência de verificação passa a valer em 4 de janeiro de 2027 para imóveis com área superior a 15 módulos fiscais, em 1º de julho de 2027 para imóveis com área superior a 4 e até 15 módulos fiscais, e em 3 de janeiro de 2028 para imóveis com até 4 módulos fiscais. Também foi previsto prazo específico para imóveis de uso coletivo de assentamentos da reforma agrária e de povos e comunidades tradicionais, quando o CAR corresponder ao perímetro coletivo.

    Esses prazos não devem ser interpretados como motivo para inércia. Ao contrário, devem ser compreendidos como janela estratégica de preparação. O produtor rural que esperar a negativa do crédito para buscar orientação jurídica poderá encontrar um problema já instalado, com urgência financeira, pressão operacional e menor margem para organização documental.

    Nesse contexto, o advogado ambiental especializado atua antes do problema. Ele analisa a situação jurídica da propriedade, identifica riscos, orienta a regularização, organiza documentos, avalia se existem elementos para comprovar a legalidade da supressão, examina eventual incidência de autos de infração ou embargos e prepara o produtor para dialogar com a instituição financeira com segurança técnica.

    A nova realidade do crédito rural demonstra que a regularidade ambiental deixou de ser apenas um tema de fiscalização estatal. Ela se tornou requisito de mercado, de financiamento e de permanência competitiva no agronegócio.

    2. O produtor rural precisa provar regularidade, não apenas afirmar que está regular

    Um dos erros mais perigosos no campo é acreditar que a regularidade ambiental existe apenas porque o produtor “sempre trabalhou corretamente” ou porque “nunca teve problema”. No cenário atual, a regularidade precisa ser demonstrada documentalmente. Bancos, órgãos ambientais, compradores, investidores e parceiros comerciais não analisam apenas a narrativa do produtor. Eles analisam documentos, cadastros, bases oficiais, imagens, autorizações, registros administrativos e informações públicas.

    A própria atualização normativa reconheceu a importância da prova documental ao admitir novos documentos para comprovação de regularidade ambiental. Segundo o Ministério da Agricultura, passaram a ser admitidos ato equivalente à Autorização de Supressão de Vegetação Nativa e Termo de Compromisso Ambiental firmado com o órgão ambiental estadual competente, para fins de regularização de imóveis com supressão de vegetação nativa ocorrida após 31 de julho de 2019.

    Esse ponto é essencial. A discussão não se limita a saber se houve ou não supressão de vegetação. A questão passa a ser: havia autorização? Existe ato administrativo equivalente? Houve regularização posterior? Há termo de compromisso firmado com o órgão ambiental? O imóvel está em processo de adequação? O CAR está coerente com a realidade da propriedade? Há sobreposição, erro de base, divergência cartográfica ou registro ambiental desatualizado?

    A resposta a essas perguntas exige atuação jurídica qualificada. O advogado precisa compreender a relação entre o Código Florestal, o Cadastro Ambiental Rural, o Programa de Regularização Ambiental, as autorizações de supressão, os termos de compromisso, os procedimentos estaduais, os autos de infração e as regras do Manual de Crédito Rural. Sem essa leitura integrada, o produtor pode ser prejudicado mesmo quando possui argumentos e documentos capazes de demonstrar sua regularidade.

    Na prática, muitos problemas surgem não porque o produtor esteja necessariamente em situação ambiental irregular, mas porque a documentação está incompleta, desorganizada, mal interpretada ou não foi apresentada da forma adequada. Um imóvel rural pode ter histórico de uso consolidado, autorização antiga, termo de compromisso, processo administrativo em andamento ou divergência em base geoespacial. Se esses elementos não forem juridicamente organizados, o banco poderá enxergar apenas o risco.

    Por isso, a atuação do advogado especializado é também uma atuação de gestão de prova. Ele deve construir um dossiê jurídico-ambiental da propriedade, reunindo documentos fundiários, CAR, recibos, mapas, matrículas, autorizações, licenças, termos de compromisso, manifestações administrativas, relatórios técnicos, imagens georreferenciadas e eventuais defesas ou recursos em processos ambientais.

    Esse trabalho permite que o produtor rural não fique refém de uma leitura superficial da sua situação ambiental. Mais do que reagir a uma negativa de crédito, o produtor passa a se apresentar ao mercado financeiro com documentação estruturada, narrativa técnica coerente e fundamentos jurídicos consistentes.

    3. Advogado ambiental experiente protege o produtor rural contra negativa de crédito, sanções e prejuízos econômicos

    A contratação de advogado ambiental especializado não deve ser vista como custo burocrático. Ela deve ser compreendida como investimento em segurança jurídica, continuidade produtiva e proteção econômica da atividade rural. No cenário atual, uma pendência ambiental pode afetar crédito, licenciamento, comercialização, contratos, certificações, financiamentos, reputação e valor do imóvel.

    O produtor rural que busca crédito precisa compreender que o banco não avalia apenas capacidade de pagamento. Avalia também risco regulatório, risco ambiental e risco de conformidade. Quando há apontamento de supressão de vegetação nativa, embargo, auto de infração, ausência de autorização, pendência no CAR ou inconsistência em bases oficiais, a operação financeira pode ser recusada, suspensa ou submetida a exigências adicionais.

    A própria notícia oficial informa que produtores rurais que tiveram propostas de crédito recusadas por constarem da lista disponibilizada pelo Ministério do Meio Ambiente durante a vigência da norma poderão reapresentá-las. Esse dado reforça a importância da atuação jurídica: a negativa de crédito não precisa ser tratada como encerramento definitivo da operação, mas como situação que pode exigir reanálise, complementação documental, comprovação de regularidade ou impugnação técnica da informação utilizada.

    Nesses casos, o advogado com prática ambiental experiente pode atuar em várias frentes. Pode analisar a razão da negativa do crédito, verificar se a propriedade realmente se enquadra em algum impedimento, examinar a origem da informação ambiental utilizada, identificar documentos capazes de afastar o impedimento, orientar a regularização perante o órgão competente e preparar manifestação técnica para subsidiar a reapresentação da proposta.

    Além disso, esse profissional pode antecipar riscos antes da safra, antes da renovação do financiamento e antes da necessidade urgente de capital. A pior situação para o produtor rural é descobrir uma pendência ambiental no momento em que precisa do crédito para custeio, plantio, investimento ou renegociação. Quando isso acontece, o problema jurídico se transforma imediatamente em problema econômico.

    A atuação preventiva também evita decisões equivocadas. Sem orientação especializada, o produtor pode assinar termos inadequados, apresentar documentos insuficientes, confessar fatos de forma desnecessária, deixar de impugnar informações incorretas, perder prazos administrativos ou aceitar exigências que poderiam ser discutidas. Em matéria ambiental, cada manifestação mal formulada pode gerar consequências futuras em processos administrativos, civis, bancários e comerciais.

    O advogado ambiental que domina o tema não atua apenas para “apagar incêndios”. Ele organiza a propriedade rural juridicamente. Ele transforma regularidade ambiental em ativo econômico. Ele ajuda o produtor a demonstrar conformidade, reduzir risco de sanção, melhorar sua posição perante instituições financeiras e preservar o acesso ao crédito.

    Em síntese, as novas regras sobre impedimentos sociais, ambientais e climáticos no crédito rural mostram que o produtor rural precisa tratar a agenda ambiental com seriedade estratégica. Não se trata de burocracia distante da realidade do campo. Trata-se de acesso a financiamento, proteção patrimonial e viabilidade econômica da atividade rural.

    O produtor que se antecipa, organiza sua documentação e conta com assessoria jurídica ambiental especializada sai na frente. O produtor que ignora o tema pode descobrir tarde demais que uma pendência ambiental não impede apenas uma licença ou gera apenas uma multa. Ela pode impedir o crédito que sustenta a própria produção.

    Referência oficial consultada

    Ministério da Agricultura e Pecuária. “CMN ajusta normas referentes a impedimentos sociais, ambientais e climáticos para a concessão de crédito rural”. Disponível em: link oficial gov.br


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